8 de nov de 2010

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Infecção pelo vírus t-linfotrópico humano (htlv)


O HTLV foi descrito pela primeira vez no Caribe, no início da década de 80, e é muito freqüente na América Latina, na África Ocidental, no Japão e entre os aborígines da Austrália. Ele é transmitido por via sexual, pelo sangue e de mãe para filho, principalmente pela amamentação. Estima-se que 5% dos infectados desenvolvam a doença, que não tem cura.


Conceito

O HTLV pertence à família dos retrovírus (a mesma do HIV). Infecta os linfócitos T e pode causar uma série de doenças, a principal delas é conhecida como leucemia das células T do adulto, que é normalmente fatal. Também pode causar uma síndrome de desmilienização conhecida como paraparesia espástica tropical (PET) ou mielopatia associada ao HTLV-1.

Os retrovírus, cujo material genético é composto de RNA, foram os primeiros vírus descritos a infectar mamíferos. Sua relação com algumas doenças em seres humanos permaneceu obscura até 1980, quando um novo retrovírus, chamado vírus T-linfotrópico humano tipo 1 (ou, em inglês, human Tlymphotrophic viruses 1, HTLV-1) foi identificado em um paciente com linfoma cutâneo. Alguns estudos conduzidos no Japão concluíram que a maioria dos pacientes adultos portadores de leucemia, ou linfoma, tinham sido expostos ao HTLV-1; ou seja, pensou-se naquela época, que esse novo retrovÍrus, além de estar associado a leucemias e linfomas, poderia também ser a causa de uma nova doença, a Aids.

Após a identificação do HIV, em 1983, e depois de uma série de estudos sobre o HTLV-1, concluiu-se que ambos, além das mesmas formas de transmissão (sexual, sangüínea e vertical) tinham também como característica comum o tropismo pelos linfócitos T, causando destruição dessa células, linfopenia e inversão da relação CD4/CD8. A infecção pelo HIV, na maioria dos casos, depois de um período de incubação de 5 a 10 anos, resulta em imunodeficiência e manifestações clínicas da aids. Em contrapartida, o HTLV-1, além da destruição, causa transformações nos linfócitos T, resultando no desenvolvimento, dentre outras, de leucemia ou linfoma, depois de um período de incubação, em média, de 20 a 30 anos, e apenas em uma minoria dos pacientes infectados.

Posteriormente, estudos moleculares detalhados realizados em pacientes com leucemia identificaram um outro retrovírus, com algumas características diferentes do HTLV-1, que veio a ser chamado de HTLV-2.

Epidemiologia

O HTLV é transmitido da mesma forma que o HIV, ou seja, por meio dos fluidos corpóreos, como o esperma, secreções vaginais, sangue, da gestante para o feto e da mãe à criança durante a amamentação.

As mais altas prevalências ocorrem em populações de usuários de drogas injetáveis e receptores de sangue ou hemoderivados. As taxas mais altas ocorrem no sudoeste do Japão, onde 30% da população adulta é de portadores do HTLV-1. Uma outra região do mundo considerada de alta prevalência é o Caribe, onde 2% a 5% dos adultos negros são soropositivos para o HTLV1. Taxas elevadas também são encontradas na América do Sul, América Central e África sub-saariana. A larga distribuição de HTLV no mundo, e o fato da infecção pelo HTLV estar difundida em populações que aparentemente não têm nenhuma inter-relação, fez com que alguns epidemiologistas concluíssem que este vírus está infectando seres humanos há muito mais tempo que o HIV.

Doenças Associadas ao HTLV-1

A Leucemia de Linfócitos T do Adulto (LLTA) foi reconhecida como uma entidade clínica no Japão, em 1977. Atualmente é a forma mais comum de leucemia no sudoeste do Japão, onde são diagnosticados 700 casos novos a cada ano. Embora quase 100% dos casos sejam HTLV-1 positivos, foi calculado que, em regiões endêmicas, a doença se desenvolve em apenas 2% a 4% dos indivíduos infectados com HTLV-1, após um período de latência que pode durar de 10 a 60 anos.

Além da PET, uma síndrome desmielinizante, outras doenças ou síndromes foram associadas ao HTLV-1. Entre estas estão a uveíte, a hipereosinofilia e alguns tipos de dermatite, cuja presença em crianças imunocomprometidas, pode sinalizar o possível desenvolvimento, algumas décadas mais tarde, da leucemia dos linfócitos T.

Outra síndrome associada ao HTLV-1 é um tipo de artropatia, cuja característica principal é uma oligoartrite crônica, afetando ombros, pulsos e joelhos.

Doenças Associadas ao HTLV-2

Embora a patogenicidade do HTLV-1 pareça ser maior que a do HTLV-2, este último tem sido isolado ou detectado em pacientes com leucemia linfocítica crônica com neutropenia, leucemia prolinfocítica, linfoma cutâneo, síndrome de Sézary, dermatite esfoliativa, síndrome da fadiga crônica e distúrbios neurodegenerativos súbitos. Entretanto, o exato papel do HTLV-2 nestas doenças ainda não está claro.

1 comentários:

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    http:htlv-rs.blogspot.com ou
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