26 de dez de 2014

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Diretrizes para o controle da sífilis congênita: manual de bolso

APRESENTAÇÃO

A transmissão vertical da sífilis permanece um grande problema de saúde pública no Brasil. Das várias doenças que podem ser transmitidas durante o ciclo grávidopuerperal, a sífilis é a que tem as maiores taxas de transmissão.

No Brasil, estudos de representatividade nacional estimam uma prevalência em gestantes de 1,6% da infecção, em 2004, representando cerca de 50 mil  parturientes com sífilis ativa e uma estimativa de 15 mil crianças nascendo com sífilis congênita para aquele ano, em média. Desde 1986, a sífilis congênita é de notificação compulsória, tendo sido incluída no SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). Entretanto, embora a subnotificação tenha sido a regra, entre os anos de 1998 e 2004 foram notificados 24.448 casos da doença neste intervalo de tempo. Em 2003 observou-se uma mortalidade de 2,7 óbitos por 100 mil, em menores de 1 ano, demonstrando ainda um insuficiente controle do agravo em todo o território nacional.

Em 1995, pela resolução CE 116.R3 da Organização Pan-Americana de Saúde, o Brasil, juntamente com outros países da América Latina e Caribe, assumiu o compromisso para a elaboração do Plano de Ação, visando a eliminação da sífilis congênita nas Américas até o ano 2000. Em 1997, o Ministério da Saúde passou a considerar como meta de eliminação o registro de até 01 caso de sífilis congênita por 1.000 nascidos vivos/ano.

Como elementos fundamentais no enfrentamento da transmissão vertical da sífilis, as ações de diagnóstico e prevenção precisam ser reforçadas especialmente no pré-natal e parto; porém idealmente essas ações seriam mais efetivas se realizadas com a população em geral, ainda antes da gravidez ocorrer.


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Data de Publicação 13/10/06
Descrição Coleção DST/aids - Série Manuais 24
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Guia de Manejo Clínico da Infecção pelo HTLV

INTRODUÇÃO

1.1 HISTÓRICO DOS RETROVÍRUS
A história dos retrovírus mostra que o interesse médico pelos agentes infecciosos causadores de tumores teve início com a descrição da possível transmissibilidade do chamado sarcoma de Rous em aves, em 1911. A seguir, observou-se a associação de processos neoplásicos em diversos animais com os então recém-descritos agentes virais, o que gerou na comunidade científica uma grande expectativa de que algumas neoplasias humanas também pudessem estar associadas a infecções por esses agentes.

Os vírus e sua relação com o desenvolvimento de tumores passaram então a receber maior atenção e esforço de pesquisa, o que levou ao isolamento de inúmeros vírus animais oncogênicos, da família Retroviridae em particular. Estes permitiram o aprendizado de novos conceitos de interações entre um vírus e o hospedeiro, incluindo o avanço evolutivo representado pela integração dos ácidos nucleicos viral e celular, a transmissão vertical do vírus para a progênie do hospedeiro, a persistência viral e o processo de latência. Com os retrovírus foi possível também realizar descrições dos oncogenes (sequências de ácido nucleico que geram produtos capazes de induzir o aparecimento de neoplasias).

Em 1970, foi descrita a atividade de uma enzima que apresentava uma função (até então desconhecida na biologia celular) de leitura de um molde de RNA viral, intermediando a partir daí a síntese de uma molécula de DNA. Em decorrência dessa função, essa enzima (DNA polimerase dependente de RNA) recebeu a denominação genérica de transcriptase reversa (TR) e a sua presença em todos os seres desse grupo de agentes virais deu origem ao nome da família viral hoje conhecida como Retroviridae. A TR se forma nos vírions em brotamento a partir das células infectadas, de modo que recuperá-la a partir de um meio de células cultivadas implicaria a presença de infecção ativa por retrovírus.

Agentes virais da família Retroviridae foram sendo sucessivamente descritos a partir de isolados de peixes, répteis, aves e mamíferos (ainda que seu potencial patogênico tenha sido demonstrado, até então, de forma convincente apenas nas aves e mamíferos). O estudo de toda a variedade de neoplasias associadas aos retrovírus animais (linfomas, leucemias, sarcomas e, ocasionalmente, carcinomas) induziu ao desenvolvimento de uma metodologia de cultivo viral que foi de grande utilidade prática quando se buscou o isolamento do primeiro retrovírus humano.

Por volta da década de 70, a proposta de investigar a existência de retrovírus humanos havia se tornado impopular devido às inúmeras tentativas sem êxito de isolá-los, apesar do isolamento da transcriptase reversa em pacientes com casos raros de leucemia, o que sugeria fortemente a presença de retrovírus. Além da atmosfera de frustração, havia outros argumentos científicos, como a falta de evidência de vírus associados à leucemia em primatas, a facilidade em isolar retrovírus de animais em contraste com a dificuldade que se experimentava com os possíveis retrovírus humanos e o fato de o soro humano ter a capacidade de lisar retrovírus animais na presença de complemento. Na tentativa de encontrar um vírus humano relacionado ao desenvolvimento de leucemia/linfoma, foram desenvolvidas técnicas para a detecção da transcriptase reversa, bem como para discriminá-la das DNA-polimerases celulares.

Um dos eventos decisivos para tornar possível o isolamento dos retrovírus em pacientes com leucemia e, posteriormente, com aids, juntamente com a capacidade de detectar a transcriptase reversa, foi a descoberta de um fator mitogênico das células T, depois chamado de interleucina-23.

A associação entre os retrovírus e neoplasias em seres humanos pôde ser feita com sucesso na década de 1980, nos Estados Unidos, quando se logrou isolar o primeiro retrovírus humano, o vírus linfotrópico de células T de humanos (Human T lymphotropic virus, HTLV), a partir de uma linhagem de células linfoblastoides, obtida de um paciente com linfoma cutâneo de células T nos EUA, e, a seguir, detectá-lo no soro de pacientes japoneses com quadros de leucemia/linfoma de células T de adultos, LLcTA (adult T-cell leukemia/lymphoma, ATcLL), em situações independentes. A LLcTA havia sido descrita como uma nova entidade clínica em Kyoto, Japão, em 1977.
No ano de 1982, foi isolado um segundo HTLV, a partir de um paciente com tricoleucemia. Métodos de cultivo in vitro e a caracterização biológica e molecular evidenciaram que se estava frente a dois agentes intimamente relacionados, porém distintos, que passaram a ser denominados HTLV-1 e HTLV-2, sendo este último bem menos patogênico que o primeiro. Posteriormente, foi definido o tropismo desses dois vírus para linfócitos T, CD4+ e CD8+, respectivamente.
A partir de estudos soroepidemiológicos, foi possível mostrar o envolvimento do HTLV-1 com uma encefalomieloneuropatia endêmica na região do Caribe, conhecida como Paraparesia Espástica Tropical, hoje referida como Mielopatia Associada ao HTLV-1, PET/MAH. Atualmente, o espectro de infecção, principalmente pelo HTLV-1, é traduzido sob a forma de doenças oculares, dermatológicas, urológicas, reumatológicas e psiquiátricas, além da interação com outros agentes infecciosos (de natureza viral e helmintos), causando quadros de doença mais grave em seres humanos. Além disso, mais recentemente, tem-se observado que outros sintomas neurológicos inespecíficos, como hiperreflexia, neuropatia periférica, disfunção erétil e bexiga hiperativa, ocorrem com mais frequência em indivíduos soropositivos para o HTLV.
Em 1983, foi isolado um retrovírus do linfonodo de um paciente com linfadenopatia generalizada persistente, condição que era reconhecidamente precursora da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (aids). A esse isolamento, seguiram-se experimentos demonstrando a transmissibilidade do novo vírus a células de pessoas sadias e diferenciando-o do HTLV. No ano seguinte, foi publicado um trabalho distinguindo esse agente tanto do HTLV-1 como do HTLV-2, ao qual se denominou HTLV-3. A seguir, foi demonstrada a sua relação causal com a aids e apresentada a primeira geração de testes diagnósticos específicos para esse vírus, posteriormente denominado HIV (Human Imunodeficiency Virus).

Por apresentarem mecanismos de transmissão comuns, o HIV e o HTLV-1 e 2 podem, simultaneamente, infectar o mesmo hospedeiro, o que acontece com relativa frequência, em especial em populações específicas, como usuários de drogas intravenosas e profissionais do sexo. Alguns estudos mostram que a coinfecção HIV/HTLV-1 cursa com progressão mais rápida para aids, maior risco de desenvolvimento de complicações neurológicas, incluindo PET/MAH, leucemia e linfomas, e menor sobrevida. No caso da coinfecção com HTLV-2, no entanto, não se evidenciou piora da progressão para aids, tendo sido relatado até mesmo algum efeito protetor, embora se tenha verificado que o HIV pode induzir o desenvolvimento de neuropatia e linfoma relacionados ao HTLV-2.

Estima-se que, atualmente, cerca de 20 milhões de pessoas estejam infectadas com o HTLV-1 no mundo, as quais se concentram em determinadas áreas da África, América Central e do Sul e Japão. Como aproximadamente 90% dos portadores são assintomáticos e suas complicações mais conhecidas e estudadas ocorrem em cerca de apenas 5% dos infectados, a infecção é tradicionalmente relacionada a uma baixa morbidade.

A patogênese da infecção tem sido associada a uma elevada carga viral e a uma exageração de resposta imune tipo I, conforme se pode constatar nos pacientes com PET/MAH e LLcTA, embora a história natural da doença ainda não tenha sido totalmente esclarecida.




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Resultado do trabalho de um grupo assessor que contou com diversos segmentos, como especialistas, profissionais de saúde e sociedade civil,  este material tem por objetivo principal orientar profissionais de saúde quanto à atenção aos portadores do HTLV e suas complicações.
Disponibilizado em:29/05/2014

Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais
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Caderno de Boas Práticas em HIV/Aids na Atenção Básica

Esta publicação tem por objetivo mostrar como o processo de descentralização do  cuidado das pessoas vivendo com HIV/aids para a atenção básica acontece na prática.

O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais esteve nas cidades de Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Fortaleza para ver e compartilhar com todos o que cada um desses municípios fez ou vai fazer para acolher as pessoas que têm o vírus da aids nas unidades básicas de saúde.

A gestão compartilhada do cuidado do portador do HIV entre a rede primária (a Unidade Básica de Saúde - UBS) e a rede secundária (o Serviço de Assistência Especializada - SAE) é a chave para melhorar a assistência dos soropositivos no Brasil.

A única forma de aumentar o acesso tanto à assistência quanto ao diagnóstico do HIV é por meio da rede básica de saúde. Essa é a hora de os profissionais dos SAE compartilharem o conhecimento sobre o manejo clínico da doença, adquirido em 30 anos de epidemia e permanentemente atualizado, com os profissionais da rede de atenção primária. Por meio da gestão compartilhada do cuidado, será possível ampliar o diagnóstico precoce e iniciar o tratamento no momento oportuno. Essas duas ações são fundamentais para diminuir os óbitos relacionados à aids e garantir uma sobrevida com qualidade aos soropositivos.

Algumas ações do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, como: a ampliação do teste rápido anti-HIV nas unidades básicas de saúde; o tratamento precoce com antirretrovirais independentemente da taxa de CD4; e a distribuição da dose fixa combinada (uma só pílula com tenofovir, lamivudina e efavirenz) favorecem o processo de descentralização do cuidado das pessoas vivendo com HIV.

O Ministério da Saúde, por meio do novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Adultos Vivendo com HIV/Aids, deve iniciar em 2014 o tratamento de 100 mil soropositivos. Desse número, 68 mil são pessoas que têm diagnóstico positivo para aids e CD4 < 500 células/mm3, às quais, apesar de estarem em serviços especializados de aids, não foi oferecida a possibilidade de iniciar o tratamento com antirretroviral. “Em dezessete anos de provisão da terapia antirretroviral, TARV, fornecemos tratamento para cerca de 313 mil portadores do HIV. Com o novo Protocolo, vamos aumentar em 25% o número de pessoas em TARV. Temos que ampliar a rede de assistência para garantir o acesso de todos ao sistema de saúde”, a_rma Fábio Mesquita, Diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais.

Para melhorar os índices do HIV/aids no país, é preciso o envolvimento de toda a sociedade. O Brasil foi pioneiro na resposta à epidemia, mas o momento atual mostra que é preciso aperfeiçoar muitos pontos da assistência. Acreditamos que a inclusão da atenção básica no cuidado do portador do HIV trará benefícios a todos os envolvidos, usuários, profissionais de saúde e sociedade civil organizada.

Esse processo está sendo feito a partir dos municípios e estados e tem todo o respaldo do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Departamento de Atenção Básica e do Ministério da Saúde.

A presente publicação é também uma resposta aos indicadores do projeto Aids- SUS, estruturando a governança da resposta nacional ao enfrentamento das DST/aids nas instâncias estaduais e municipais.

Convidamos todos à leitura das experiências do manejo clínico do portador do HIV em unidades básicas de saúde.

Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais


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Caderno de Boas Práticas em HIV/Aids na Atenção Básica mostra as ações bem sucedidas de algumas cidades brasileiras sobre o manejo dos pacientes de HIV/aids na atenção básica.

Ano: 2014

Edição: Ministério de DST, Aids e Hepatites Virais

8 de nov de 2014

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Estudo pede mais campanhas sobre DST para homens que fazem sexo com homens

O governo precisa intensificar as campanhas de conscientização direcionadas a homens que fazem sexo com outros homens para alertar sobre a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST), defende um estudo divulgado hoje (7) pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fundação Oswaldo Cruz. A pesquisa analisou a sorologia de um grupo de 558 homens de Campinas (SP) que fizeram sexo com outros homens seis meses antes da coleta e mais da metade tiveram contato ou estavam infectados por algum causador de DST.

No grupo pesquisado, mais de um quarto dos identificados como soropositivos tinha contraído o vírus HIV, causador da aids, menos de seis meses antes da coleta. A chefe do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC, Mariza Morgado, destacou que a volta do crescimento da contaminação entre homens, especialmente entre os jovens de 15 a 24 anos, requer uma resposta do governo que vai além das campanhas feitas no carnaval. "É preciso focalizar mais as campanhas, porque é o grupo em que a gente observa um certo recrudescimento da epidemia [de aids]", argumentou.

A pesquisadora defende que a prevenção do HIV conte com o uso de antirretrovirais pré-exposição. Esses remédios seriam tomados regularmente para combater o vírus caso haja contato, potencializando a prevenção. "A gente precisa ter alguma coisa que previna a expansão da infecção e, hoje, o que tem se mostrado mais efetivo é o tratamento", diz. "É claro que tudo isso tem que estar associado ao uso de camisinha e medidas preventivas tradicionais".
Pesquisa prevenção do HIV conte com o uso de antirretrovirais pré-exposição Arquivo/Agência Brasil
Entre os homens pesquisados, os exames apontaram 7,6% de infectados pelo HIV, um percentual cerca de 20 vezes maior que o registrado na população brasileira em geral. No entanto, a incidência é bem inferior aos 31,9% que tiveram contato com o HPV do tipo 16, e dos 20,3% que se expuseram ao HPV do tipo 18. Esses dois tipos do papiloma vírus humano são os mais associados ao câncer - quase 90% dos casos de tumores malignos no ânus e cerca de 40% dos que atingem o pênis estão relacionados ao HPV. Ao todo, o percentual que teve contato com ao menos um desses dois tipos de HPV chegou a 40% na população pesquisada. Esse contato, porém, não resulta em uma infecção persistente na maioria das vezes.

"[O HPV] é uma das DST mais comuns no mundo. Só que, na maior parte dos casos, o sistema imunológico controla e a lesão some com o tempo. Em menos de 1% pode evoluir para o câncer", explicou Alcina Nicol, pesquisadora do Laboratório Interdisciplinar de Pesquisas Médicas do IOC. Alcina defende que os meninos também passem a receber a vacina contra o HPV, que já é dada em meninas para prevenir o número de casos de câncer de colo de útero, pois quase 100% desses tumores malignos estão associados ao HPV.

Alcina destaca que a vacinação é importante principalmente para portadores de HIV. Segundo o estudo, o contato com o HPV do tipo 16 entre esse grupo chega a 60,9%, e, para o tipo 18, a 46,3%, bem acima das taxas gerais. "O paciente HIV positivo tem tido uma alta prevalência de câncer anal, o que já foi mostrado pela literatura [médica]. Isso é por causa da baixa da imunidade", explica. Segundo o portal do Ministério da Saúde sobre DST, soropositivos só devem tomar vacinas com orientação médica.

O estudo também levantou informações sobre as hepatitites B e C, além do vírus HTLV. Apesar dos 30 anos de campanhas de vacinação contra a hepatitite B, 55% dos pesquisados não estavam imunizados, e 11,4% estavam infectados. Sobre a hepatite C, o estudo constatou que, na população pesquisada, a incidência da doença foi 1%, coincidindo com pessoas que se declararam usuárias de drogas. O mesmo ocorreu com o vírus HTLV, apesar de sua principal forma de transmissão ser o aleitamento materno.

Para chegar aos entrevistados, a pesquisa contou com o engajamento deles próprios. Cada pessoa entrevistada e examinada convidava mais três pessoas para responderem e se submeterem aos exames, formando uma rede. Tal metodologia não permite que o grupo seja tomado como amostra da população de Campinas, de São Paulo ou do país, mas aponta conclusões que orientaram as recomendações. Uma delas é a importância de campanhas nas escolas e o papel da escolaridade na prevenção. "Quão melhor é a escolaridade, mais o indivíduo se arma de conhecimento e acaba evitando a infecção. Quem tem menos escolaridade está se contaminando mais", diz Mariza Morgado.
A camisinha é indicada como a
principal forma de prevenção
da maior parte das DST
Arquivo/Agência Brasil
 A camisinha é indicada como a principal forma de prevenção da maior parte das DST e pode ser obtida gratuitamente em toda a rede pública de saúde. No Disque Saúde (136), é possível obter informações sobre a prevenção e onde obter o preservativo. Segundo o Ministério da Saúde, o preservativo oferece 10 mil vezes mais proteção contra o vírus da aids do que a sua não utilização, e apenas um deve ser utilizado por vez, já que usar dois ao mesmo tempo aumenta as chances de rompê-lo. Além do uso no sexo vaginal e no anal, também é recomendado o uso no sexo oral.

Procurado pela Agência Brasil, o Ministério da Saúde informou, por meio de nota, que faz, anualmente, duas grandes campanhas de massa em âmbito nacional, uma durante o carnaval, que se estende ao longo dos principais eventos do ano - como festas regionais, como micaretas - e a outra em 1º de dezembro, Dia da Luta contra a Aids. As campanhas são voltadas para o público considerado sexualmente ativo (entre 15 e 49 anos) e os jovens gays (principalmente entre 15 e 14 anos). Além das campanhas, são feitas ações conjuntas com as secretarias municipais e estaduais de Saúde de todo o Brasil e com organizações não governamentais (ONGs) em eventos regionais.

O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do  ministério desenvolve projeto de teste rápido de HIV/aids por fluido oral com 50 ONGs parceiras de 20 estados e do Distrito Federal, com resultado em até 30 minutos. De acordo com o ministério, a prioridade no novo método, iniciado em março de 2014, é para as populações que apresentam maior vulnerabilidade à infecção pelo HIV (homens que fazem sexo com homens, gays, profissionais do sexo, travestis, transexuais, pessoas que usam drogas, pessoas privadas de liberdade e em situação de rua).

A nota ressalta o esforço do Ministério da Saúde no diálogo direto com jovens gays, homens que fazem sexo com homens, travestis e transexuais, por meio de campanha publicitária e meios alternativos, como aplicativos e redes sociais.


Da Agencia Brasil



7 de nov de 2014

A contagiante história da sífilis

Artigo do cirurgião dentista e estomatologista Prof. Assoc. Jayro Guimarães Jr.
Um pastor certa vez teve  esse mal-estar, e Syphilus é seu nome [...].
Primeiro ele teve bolhas de aparência horrível, [...] teve dores estranhas e passou noites em claro. Dele a doença recebeu seu nome, os pastores das vizinhanças apanham a chama devastadora. Finalmente na cidade e na corte ela foi conhecida, e atacou o monarca ambicioso no seu trono.
Trechos de “Syphilis sive morbus gallicus” (Sífilis  ou a doença francesa), poema escrito, em 1530, por Hyeronimus Frascatorius.  

A sífilis é uma doença infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum. Podem se manifestar em três estágios. Os maiores sintomas ocorrem nas duas primeiras fases, período em que a doença é mais contagiosa. O terceiro estágio pode não apresentar sintoma e, por isso, dá a falsa impressão de cura da doença.
 
Todas as pessoas sexualmente ativas devem realizar o teste para diagnosticar a sífilis, principalmente as gestantes, pois a sífilis congênita pode causar aborto, má formação do feto e/ou morte ao nascer.
A história da sífilis é interessante, folclórica e, ainda, polêmica.
 
Foi citada sua presença na China e no Japão principalmente nos séculos XIII e XIV.
Para um grande número de estudiosos seria endêmica na América Central, notadamente no Haiti, e levada para Europa por quarenta e quatro marinheiros espanhóis, que, ao serem dispensados por Colombo, se uniram às tropas de Gonzalo de Córdoba e, mais tarde, se juntaram ao exército “francês” de Carlos VIII que começou a invadir a Itália no outono de 1494.
 
Junto com o navegador genovês vieram dez nativos americanos (dos quais um morreu tão logo desembarcou), que voltaram para Europa com Cristóvão Colombo no ano de 1493.
O exército de Carlos VIII, constituído por 3.000 homens, não era de fato francês, mas composto por mercenários franceses, alemães, suíços, ingleses, húngaros, poloneses e espanhóis. 
 
Em fevereiro de 1495, este exército mercenário começou a realizar o cerco da cidade de Nápoles.  
A queda da cidade, ocorrida no mesmo ano, deu início às orgias que teriam levado à disseminação da infecção sifilítica aos seus participantes, coincidindo logo a seguir com o primeiro grande surto da doença.
 
Foi então denominada de “mal gálico, francês ou italiano”.  A volta dos mercenários para seus países de origem contribuiu para a disseminação da doença.
 
Um dos pontos que suportam esta teoria é que um dos mais primitivos tratamentos para a sífilis, instituído em 1508, feito pela erva santa (“holy wood”) ou guaiaco, era uma resina obtida de duas plantas — guaiacum officinale e guaiacum sanctum— originárias das Américas.
 
Estes fatos históricos atualmente estão sendo refutados com base em estudos epidemiológicos e clínicos por vários autores entre os quais Luguer, em 1993.
 
Segundo estas refutações, a doença já estava presente na Europa antes dos tempos do navegador genovês.
 
O aumento de incidência teria apenas coincidido com a descoberta da América. Este aumento, que foi pandêmico, foi chamado de "great pox" em oposição ao "small pox”.
 
Outra teoria afirma que a sífilis é originária da África e foi introduzida na Espanha e em Portugal pelos escravos trazidos daquele continente.
 
Há uma doença chamada framboesia (yaws em inglês, do africano yaw= framboesa) que é bacteriologicamente indistinguível da sífilis, mas que não é transmitida sexualmente.
 
Uma teoria crê que a sífilis é causada pela mesma bactéria da framboesia africana, adaptada ao clima europeu, mais frio que o africano.
 
Assim a framboesia e a sífilis seriam diferentes manifestações da mesma doença.
 
Uma extensão da teoria afirma que não foram os escravos, mas sim negros que chegaram num passado mais remoto ao Egito, Arábia, Grécia e Roma que levaram a yaws para o continente europeu.
 
As primeiras citações sobre a doença foram escritas pelo famoso poeta italiano, originário de Verona, Girolamus Fracastorius que nasceu em 1483 dentro de uma família de conhecidos médicos. Estudou Medicina em Padova e Belas Artes, Matemática e Astronomia, além de ser naturalista, poeta e filósofo, bem como, excelente enologista. Descreveu diferentes vinhos e suas indicações na medicina. Suponho que experimentou alguns.
 
Em agosto de 1530, Frascatorius escreveu um poema em elegantes versos hexâmetros virgilianos (versos divididos em seis partes usados por Virgílio), publicado em Verona em três volumes, com o nome “Syphilis sive morbus gallicus”.
 
 
A obra fala sobre a origem da doença e descrevia  sua sintomatologia. Relata as desventuras de um jovem pastor Syphilus que, por amar tanto o rei de Alcithous, chegou a dedicar-lhe um culto religioso e a induzir o povo a idolatrá-lo. 
 
Pois é, naquele tempo idolatrava-se governantes.
 
 
Atraiu assim a ira dos deuses e recebeu como castigo divino a terrível doença. O pastor foi o primeiro a contraí-la, mas ela se tornou epidêmica.
 
Em 1546, Fracastorius publicou outro trabalho em Veneza sobre o título “De Contagione et Morbis Contagiosis”, no qual descreve a causa da sífilis e de muitas doenças contagiosas, surgindo como um dos precursores da bacteriologia. 
 
Frascatorius refere-se a um “catarro pernicioso” dos doentes com sífilis que corroía o palato, lábios, úvula e faringe que pode ser considerado como a placa mucosa oral do secundarismo. 
 
Lues, o outro nome para a sífilis, vem do latim lues, ao qual foi acrescentado o adjetivo venereum, quer dizer praga, doença ou pestilência, pois foi considerada como um dos grandes flagelos da civilização no século XVI devido ao grande número de vítimas fatais por ela causada.
 
No século XVII apareceram os primeiros ensaios em textos pediátricos sobre a sífilis congênita. As crianças com sífilis eram frequentemente abandonadas por causa do medo da transmissão.
 
Erasmo de Rotterdam (1469-1536) escreveu que todo nobre que não tivesse sífilis uma vez era considerado “ígnobilis et rusticans”.
 
Em 1579, o cirurgião londrino William Clowes declarou que de cada 20 pacientes admitidos no St. Bartholomew’s Hospital, 15 tinham sífilis (75%!), demonstrando que a doença era muito comum na Londres do século XVI.
 
A doença afetou muita gente famosa. Entre elas: Carlos VIII e Francisco I (reis da França), o Papa Alexandre Bórgia, seu sobrinho Pedro Bórgia e o Cardeal-Bispo de Segóvia, os artistas Benvenuto Cellini, Èdouard Manet e Toulouse-Lautrec, os escritores e poetas Heinrich Heine, Jules de Goncourt, Alphonse Daudet, Guy Maupassant e Leon Tolstoi, o filósofo Friedrich Wilhelm Nietzsche e os músicos Franz Schubert (sífilis + intoxicação crônica por mercúrio ao tentar tratá-la) e Scott Joplin (autor de ragtime).  
Afetou também os tristemente famosos, como o gangster Al Capone e o ditador Adolf Hitler.
Nas casas-grandes dos engenhos brasileiros no período colonial muitos escravos eram, na verdade, descendentes bastardos dos amos.
 
Os latifundiários, apreciadores das mulatas, trouxeram a sífilis da Europa e a espalharam tão difusamente que já não se considerava as manchas da pele como coisa vergonhosa. Antes, eram distintivos ou medalhas. Ser sifilítico era sinal de macheza ou virilidade.
 
Assim, como nos conta Gilberto Freyre no seu livro “Casa Grande & Senzala”, uma contaminação em massa verificou-se nas senzalas coloniais brasileiras.
Escreveu ele: “foram os senhores das casas-grandes que contaminaram de lues as negras das senzalas. 
 Negras tantas vezes entregues virgens, ainda molecas de doze e treze anos, a rapazes brancos já podres da sífilis das cidades. Porque por muito tempo dominou no Brasil a crença de que para o sifilítico não há melhor depurativo que uma negrinha virgem [...] a prostituição doméstica, sempre é mais higiênica que a dos bordéis”. 
 
Freyre relata que “no litoral, isto é, na zona mais colorida pela escravidão, sempre foi larga a extensão da sífilis [...] e os mestres da medicina brasileira recomendam aos discípulos que, em clínica, pensem sempre sifiliticamente, isto é, considerando antes de tudo a possível origem sifilítica do mal ou doença”.
 
Ainda através de Freyre, sabemos que “no século XVIII já o Brasil é assinalado em livros estrangeiros como terra da sífilis por excelência".
 
O misterioso Capitão Johnson, provavelmente seria Daniel Defoe, autor da Histoire générale des plus fameux pyrates, de 1726, escreve que “presque tous les brésiliens sont atteints d’affections véneriennes” (quase todos os brasileiros afetados pelas doenças venéreas). 
 
Daniel Defoe foi autor do romance “Robinson Crusoé” e o livro citado sobre piratas seria uma tradução do inglês para o francês.
 
 Os primeiros ensaios terapêuticos ocorreram entre 1700 e 1837, quando Gerhardt van Swieten (1700-72) e Wallace lançaram as associações mercuriais e o iodo no seu tratamento. Anteriormente, em 1689, os vapores de mercúrio, através de fumigações, eram usados no tratamento da sífilis.
 
John Hunter (1728-93), um cirurgião inglês, cometeu um trágico erro. Ao tentar provar que a gonorreia e a sífilis tinham origem comum auto inoculou-se com material proveniente de um exsudato uretral. Infelizmente o paciente portava as duas doenças e os desenvolvimentos dos sinais da sífilis em si fizeram com que Hunter pensasse que sua teoria era correta. Hunter pagou o preço do seu erro: morreu de sífilis.
 
Meio século mais tarde, Philippe Ricord e Jean-Alfred Fournier esclareceram a confusão e separaram as duas doenças.
 
A divisão da sífilis em três estágios, primário, secundário e terciário, foi feita por Philippe Ricord.  A literatura médica de língua inglesa prefere dividi-la em recente e tardia.
No século XIX, o célebre Jean-Martin Charcot (1825-93), um dos fundadores da neurologia francesa, descreveu o perturbação articular da ataxia locomotora (descoordenação motoroa) provocada pela sífilis que ficou conhecida com "articulação de Charcot".
 
Jonathan Hutchinson, em 1861, trabalhando no London Hospital descreveu a tríade da sífilis congênita que leva seu nome.
A importância dada à sífilis revela-se no destaque dado por algumas revistas científicas, particularmente as francesas, que apareciam sob a denominação de “Dermatologia e Sifilografia”. O próprio nome da disciplina acadêmica era assim designado.  
Elie Metchnikoff e Emile Roux conseguiram transmitir a doenca para macacos, em 1903. Tornaram então possíveis os estudos experimentais da sífilis em modelos animais.
Somente em 1905, Fritz Richard Schaudinn e Paul Eric Hoffmann descobriram o micro-organismo causador da doença que denominaram Spirochaeta pallida. Um pouco mais tarde mudaram o nome pra Treponema pallidum.
Em 17 de maio de 1905, Schaudinn & Hoffmann apresentaram as conclusões de suas pesquisas para a Sociedade Berlinense de Medicina, gerando enorme polêmica e descrença. 
John Siegel e seus seguidores engrossaram a ala dos oponentes, defendendo que a doença era causada pelo Citorrhyctes luis, um alegado protozoário anteriormente descoberto por eles, e afirmando que o achado de Schaudinn & Hoffmann não passava de uma sujeira (artefato).
A discussão ficou tão acirrada que o presidente da Sociedade Berlinense de Medicina encerrou a sessão de modo jocoso: "a sessão está encerrada até que um novo agente da sífilis seja encontrado".
Pouco antes da morte de Schaudinn, em 1906, a descoberta da dupla foi reconhecida na Europa, mesmo pelos contestadores anteriores.
Em 1906, August Paul von Wassermann anunciou os resultados dos seus ensaios sorológicos de fixação do complemento para diagnóstico da doença.
Paul Ehrlich (1854-1915), em 1907, deu os primeiros passos para um tratamento mais efetivo da sífilis através de compostos arsênico-benzênicos de sua denominada “bala mágica” a base de arsfenamina. 
Constantin Lavaditi. em 1923, apresentou resultados do seu trabalho no tratamento da sífilis à base de bismuto (“Spirocid”).
Um curioso tratamento foi a malarioterapia feita com a contaminação intencional do paciente com o Plasmodium sp. O treponema não resistia à temperatura alta causada pela febre. Julius Wagner von Jauregg ganhou o prêmio Nobel de 1927 por ter descrito a malarioterapia usada contra a "dementia paralytica", ou seja, a neurossífilis.
Em 1932, Gerhard Domagk introduziu a primeira sulfonamida, o prontosil, no tratamento da sífilis.
Em 1928, Alexander Fleming tinha descoberto a penicilina. A droga ficou num certo ostracismo até que foi retomada por Howard Florey e Ernst Chain, em 1940, na Universidade de Oxford, uma década depois,  que a tornaram num agente terapêutico altamente efetivo, após terem transformando o laboratório da universidade numa fábrica de penicilina.
O prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1945 foi dividido entre o trio Fleming, Florey e Chain.
Somente em 1943, durante a Segunda Grande Guerra, John Friend Mahoney e outros, após 15 anos da descoberta da penicilina por em 1928, conseguiram o tratamento específico da doença na sua fase primária (cancro duro) com grande diminuição de sua incidência e prevalência em todo o mundo, quase que a erradicando totalmente.
Publicaram um artigo sob o a referência Mahoney JF, Arnold RC, Sterner S L, Ilayth A, ZwaIIy M R. Penicillin treatment of early syphilis: II. JAMA 126.63-7. 1944.
Como a penicilina era muito eficiente e não tinha efeitos colaterais importantes, os antigos tratamentos foram abandonados.
Os tratamentos iniciais com a penicilina foram feitos primordialmente em soldados convocados para a Segunda Guerra Mundial. 
Dos 12 milhões de convocados, 170.000 tiveram que ser tratados da doença antes de serem colocados em serviço.  A partir daí a penicilina tornou-se o tratamento padrão para sífilis, o que continua até hoje.
Em 1932, teve início o tristemente famigerado estudo de Tuskegee. Tão infame que o postarei à parte brevemente.
Em 1949, Robert Armstrong Nelson e Manfred Martin Mayer desenvolveram o teste de imobilização do treponema que comprova a presença de anticorpos contra o Treponema pallidum, que foram chamados de imobilizina.
A história da sífilis mostra que nos E.U.A., em 1918, uma pessoa em cada vinte e duas estava infectada pela doença.
Outra pesquisa relata que neste mesmo país, no início da década de 1940, existia 600.000 infectados e, após 15 anos do surgimento do tratamento pela penicilina, este número caiu para 6.000 por ano que por volta de 1980 houve uma queda para 28.000 casos.
O recrudescimento da doença iniciou-se por volta do ano de 1960 e foi justificado por vários fatores, entre os quais está o uso indiscriminado das pílulas anticoncepcionais, passando pelo grande aumento das viagens internacionais, o que veio possibilitar maior número de parcerias sexuais, sem os cuidados preventivos necessários, provocando uma maior ocorrência de casos.
Cinco novos casos de sífilis em adultos são notificados por dia no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.
Em época de Carnaval, um dos dados levantados pelo Instituto Emílio Ribas é preocupante. A maioria dos pacientes infectados não sabe que a doença pode ser transmitida pelo sexo oral feito sem o uso de preservativo.
O Ministério da Saúde quer eliminar a  existência da sífilis congênita, transmitida verticalmente pela gestante ao recém-nascido durante a gravidez, até 2015.
No levantamento do Emílio Ribas, a maioria dos infectados tem de 40 a 43 anos. De novembro a dezembro de 2011, foram diagnosticados 369 casos de sífilis, dos quais 347 eram homens.
Não existe hoje no Brasil um levantamento preciso sobre incidência de sífilis. O Emílio Ribas, por sua vez, ainda trabalha na compilação de dados de anos anteriores.
Para o Ministério da Saúde brasileiro cerca de um milhão de novos casos de sífilis são registrados a cada ano no Brasil.
Não há um número exato, pois uma série de casos acontece na rede privada de saúde e não são notificados, como em muitas outras doenças.
Os homens conseguem visualizar as lesões com mais facilidade. Nas mulheres, as feridas costumam estar dentro do canal da vagina.
Com o advento da síndrome de imunodeficiência adquirida (SIDA ou AIDS), o aparecimento de novos casos de sífilis diminuiu frente aos maiores cuidados preventivos que estavam sendo tomados para evitar o contágio daquela doença.
Entretanto, após o surgimento dos vários anti-retrovirais, os cuidados foram relaxados e, novamente, em 2012, estamos preocupados com o surgimento de novos casos.
Nota: na foto, a placa mucosa oral, manifestação estomatológica da sífilis secundária (coleção particular). Este é um dos vários aspectos, pois a sífilis é conhecida como a "grande imitadora". Isso pode complicar a hipótese diagnóstica.  É altamente contagiosa tanto para quem trata da boca (nunca deixem de usar luvas), como para quem faça sexo oral ou beija um paciente infectado. Como pode aparecer algo parecido nas mucosas vaginais, este local, também fica contagioso. Na mucosa vaginal, pênis e na boca (lábios e língua) pode também estar o cancro sifilítico (manifestação primária).

Do Estomatologista

18 de jun de 2014

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Manual técnico para o diagnóstico da infecção pelo HIV

Apresentação

O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde tem trabalhado constantemente na busca de uma resposta sustentável à epidemia de HIV/aids.

Nossas ações e propostas são pautadas em evidências científicas, na evolução tecnológica e no diálogo com todos os atores envolvidos na luta contra a epidemia.

Nesse sentido, novas políticas têm sido adotadas com o objetivo de ampliar o diagnóstico, introduzir novas metodologias e fluxos que permitam o diagnóstico precoce da infecção pelo HIV, impactando na transmissão do vírus e no surgimento de novos casos.

Dentre as inovações propostas, está a política do Tratamento como Prevenção (TasP, da sigla em inglês Treatment as Prevention), que oferece a todos os pacientes a possibilidade de iniciar o tratamento logo após a confirmação do diagnóstico. Essa medida melhora a qualidade de vida das pessoas diagnosticadas e reduz a probabilidade de transmissão do vírus.

Com o intuito de ampliar as possibilidades de diagnóstico, além de orientar e subsidiar, especialmente, os(as) profissionais de saúde na realização do diagnóstico da infecção do HIV, foi elaborado este Manual Técnico.

Estão apresentados cinco fluxogramas que permitem o diagnóstico seguro da infecção em indivíduos de todas as idades. Essa proposta viabiliza a realização do diagnóstico em diferentes situações e localidades nas quais a infraestrutura laboratorial esteja ou não disponível, na capacidade necessária ao atendimento de todos os cidadãos que buscam esse diagnóstico.

Esperamos que os profissionais e serviços façam as escolhas adequadas à sua realidade local, de modo a viabilizar o acesso de todos os indivíduos que desejam conhecer seu estado sorológico. Ao construir essas propostas, consideramos também a agilidade da resposta ao indivíduos, seu encaminhamento para assistência médica e a relação custo-efetividade da testagem.

Desejamos a todos sucesso no seu trabalho e nos colocamos à disposição para esclarecer qualquer dúvida por meio do seguinte endereço de e.mail: clab@aids.gov.br

Jarbas Barbosa da Silva Júnior
Secretário de Vigilância em Saúde

Fábio Mesquita
Diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais

Veja o manual no link abaixo.
Manual técnico para o diagnóstico da infecção pelo HIV

28 de abr de 2014

Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite Viral C e Coinfecções

1 Apresentação
Os medicamentos de ação direta contra o vírus da hepatite C constituem-se na estratégia mais recentemente desenvolvida para o tratamento desse agravo. Os primeiros antivirais de ação direta são o boceprevir (BOC) e o telaprevir (TVR), que pertencem à classe de inibidores da protease (IP). Esses medicamentos foram registrados na Anvisa, tendo o Conitec aprovado sua incorporação ao arsenal terapêutico do SUS.Ambos são utilizados em associação com alfapeginterferona e ribavirina – PEG-IFN + RBV (PR), constituindo assim uma terapia tripla (PR + IP).

Não existem estudos publicados que tenham comparado o boceprevir e o telaprevir de forma direta. Ambos os medicamentos possuem características farmacológicas distintas e foram empregados em diferentes estratégias de tratamento nos ensaios clínicos utilizados para seu registro em diversos países, incluindo o Brasil.A aprovação desses IP foi concedida exclusivamente para monoinfectados pelo genótipo 1 do HCV e com fibrose avançada (Metavir F3 e F4) ou cirrose hepática compensada (Child-Pugh ≤ 6), de acordo com a Portaria n° 20, de 25 de julho de 2012, SCTIE/MS, que incorporou essa nova tecnologia ao SUS.

Este documento tem como meta fornecer aos profissionais de saúde recomendações atualizadas e baseadas nas melhores evidências científicas disponíveis, de modo sistemático e transparente, como proposto pelo “Oxford Centre for Evidence-Based Medicine”. Também foram levadas em consideração a opinião de especialistas e as ações programáticas do Ministério da Saúde, baseadas no uso racional de medicamentos com abordagem técnica adequada.

Para todas as situações não contempladas neste Suplemento, permanecem em vigor as recomendações do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite Viral C e Coinfecções, versão de julho de 2011, aprovado pela Portaria n° 221, de 13 de julho de 2011 – SVS/MS.

Suplemento 1

Data de Publicação: 14/03/2013
Descrição: Complemento do Protocolo que trata especificamente do manejo do paciente infectado cronicamente pelo genótipo 1 do HCV e fibrose avançada.

Suplemento 2 

Data da Publicação: 26/09/2013

Versão final – Protocolo Clínico
Data de Publicação: 28/07/2011
Descrição: Este protocolo apresenta as recomendações do Ministério da Saúde para a abordagem clínica e terapêutica dos portadores da hepatite C, instrumentalizando os profissionais para o manejo das principais situações encontradas na rotina do atendimento. As recomendações foram consensuais entre os membros do Comitê Técnico Assessor, com exceção da utilização da resposta virológica rápida (RVR).

Versão Final

Errata: A versão do Protocolo publicada em 18/07/2011, de maio de 2011, sofreu algumas alterações por ocasião da primeira reunião do Comitê Técnico Assessor para o Controle das Hepatites Virais – SVS-MS, nos dias 27 e 28/7/2011. Com isso, estamos publicando a versão final, julho de 2011, com as alterações recomendadas na referida reunião. As alterações estão grifadas em amarelo:
  • Biópsia hepática: pág. 31;
  • Tratamento nos genótipos 2 e 3: págs. 40 e 41;
  • Coinfecção HIV-HCV: pág. 46;
  • Coinfecção HCV-HBV: pág. 49;
  • Pacientes pediátricos. pág. 48 à 54;
  • “Evento adverso”: págs. 7, 28, 58, 67, 68, 71 e 76.
Fonte: Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais

7 de out de 2013

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 - A B C D E das Hepatites Virais para  Cirurgiões-Dentistas
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- A B C D E das Hepatites Virais para Agentes Comunitários de Saúde
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 - A B C D E do Diagnóstico para as Hepatites Virais
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- Guia para o Cuidador Domiciliar de Pessoas que  Vivem com HIV/Aids
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 -Guia para o Cuidador Domiciliar de Pessoas que  Vivem com HIV/Aids
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- Manual A B C D E das Hepatite Virais para  Cirurgiões-Dentistas
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- Manual de Tratamento da Lipoatrofia Facial
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 -  Manual de aconselhamento em Hepatites Virais
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- Protocolo de Assistência Farmacêutica em DST/HIV/Aids
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- Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite Viral C e Coinfecções
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- Protocolo de Assistência  Farmacêutica em DST/HIV/Aids
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 - Síndrome lipodistrófica em HIV
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- Trabalhando com Mulheres e Aids
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- Vulnerabilidades ao HIV/aids no Contexto Brasileiro: iniquidades de gênero, raça e geração.
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Hepatites

 - A B C D E das Hepatites Virais para Agentes Comunitários de Saúde
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- A,B,C,D,E do diagnóstico para Hepatites Virais
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- Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite Viral C e Coinfecções
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15 de jul de 2013

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Doeças sexualmente transmissíveis - DST

As doenças sexualmente transmissíveis (DST) são transmitidas, principalmente, por contato sexual sem o uso de camisinha com uma pessoa que esteja infectada, e geralmente se manifestam por meio de feridas, corrimentos, bolhas ou verrugas. As mais conhecidas são gonorreia e sífilis.

Algumas DST podem não apresentar sintomas, tanto no homem quanto na mulher. E isso requer que, se fizerem sexo sem camisinha, procurem o serviço de saúde para consultas com um profissional de saúde periodicamente. Essas doenças quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, podem evoluir para complicações graves, como infertilidades, câncer e até a morte.

Usar preservativos em todas as relações sexuais (oral, anal e vaginal)  é o método mais eficaz para a redução do risco de transmissão das DST, em especial do vírus da aids, o HIV. Outra forma de infecção pode ocorrer pela transfusão de sangue contaminado ou pelo compartilhamento de seringas e agulhas, principalmente no uso de drogas injetáveis. A aids e a sífilis também podem ser transmitidas da mãe infectada, sem tratamento, para o bebê durante a gravidez, o parto. E, no caso da aids, também na amamentação.

O tratamento das DST melhora a qualidade de vida do paciente e interrompe a cadeia de transmissão dessas doenças. O atendimento e ao tratamento são gratuitos nos serviços de saúde do SUS.
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O que são hepatites

Grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, a hepatite é a inflamação do fígado. Pode ser causada por vírus, uso de alguns remédios, álcool e outras drogas, além de doenças autoimunes, metabólicas e genéticas. São doenças silenciosas que nem sempre apresentam sintomas, mas quando aparecem podem ser cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

No Brasil, as hepatites virais mais comuns são as causadas pelos vírus A, B e C. Existem, ainda, os vírus D e E, esse último mais frequente na África e na Ásia. Milhões de pessoas no Brasil são portadoras dos vírus B ou C e não sabem. Elas correm o risco de as doenças evoluírem (tornarem-se crônicas) e causarem danos mais graves ao fígado como cirrose e câncer. Por isso, é importante ir ao médico regularmente e fazer os exames de rotina que detectam a hepatite.

Para saber se há a necessidade de realizar exames que detectem as hepatites observe se você já se expôs a algumas dessas situações:

    Contágio fecal-oral: condições precárias de saneamento básico e água, de higiene pessoal e dos alimentos (vírus A e E);
    Transmissão sanguínea: praticou sexo desprotegido, compartilhou seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e outros objetos que furam ou cortam (vírus B,C e D);
    Transmissão sanguínea: da mãe para o filho durante a gravidez, o parto e a amamentação (vírus B,C e D)

No caso das hepatites B e C é preciso um intervalo de 60 dias para que os anticorpos sejam detectados no exame de sangue.

A evolução das hepatites varia conforme o tipo de vírus. Os vírus A e E apresentam apenas formas agudas de hepatite (não possuindo potencial para formas crônicas). Isto quer dizer que, após uma hepatite A ou E, o indivíduo pode se recuperar completamente, eliminando o vírus de seu organismo. Por outro lado, as hepatites causadas pelos vírus B, C e D podem apresentar tanto formas agudas, quanto crônicas de infecção, quando a doença persiste no organismo por mais de seis meses.

As hepatites virais são doenças de notificação compulsória, ou seja, cada ocorrência deve ser notificada por um profissional de saúde. Esse registro é importante para mapear os casos de hepatites no país e ajuda a traçar diretrizes de políticas públicas no setor.


Hepatite A

Hepatite B

Hepatite C

Hepatite D


17 de mar de 2013

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HQ SPE - Histórias em quadrinhos - Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas

Fonte: fe.unb.br

Este material surgiu no âmbito do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), uma iniciativa do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação em parceria com a UNESCO, UNICEF e UNFPA. Dirigido a adolescentes e jovens, o objetivo principal do projeto é desenvolver estratégias de promoção dos direitos sexuais e direitos reprodutivos, promoção da saúde, prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, do HIV e da AIDS, e a educação sobre álcool e outras drogas por meio de ações articulas no âmbito das escolas e das unidades básicas de saúde. A série HQ SPE compreende 6 volumes de histórias em quadrinhos, 1 guia para professores utilizarem as histórias em sala de aula e um CD-ROM. Conteúdo: 6 volumes de histórias em quadrinhos, 1 guia para professores, 1 CD-ROM.


2 de mar de 2013

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Condiloma Acuminado - Imagens 2

// A camisinha é o método mais eficaz para se prevenir contra muitas doenças sexualmente transmissíveis, como a aids, alguns tipos de hepatites e a sífilis, por exemplo. Além disso, evita uma gravidez não planejada. Por isso, use camisinha sempre.

28 de nov de 2012

Cancro Mole


CID 10: A57

ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS

Descrição
Doença transmitida sexualmente, muito freqüente nas regiões tropicais. Caracteriza-se por apresentar lesões múltiplas (podendo ser única), tipo úlceras e, habitualmente, dolorosas, de borda irregular, com contornos eritemato-edematosos e fundo irregular, cobertos por exsudato necrótico, amarelado, odor fétido, que, quando removido, revela tecido de granulação com sangramento fácil e traumatismos. No homem, as localizações mais frequentes são no frênulo e no sulco bálano prepucial; na mulher, na fúrcula e na face interna dos grandes lábios. No colo uterino e na parede vaginal, podem aparecer lesões que produzem sintomatologia discreta. Nas mulheres, as infecções podem ser assintomáticas. Lesões extragenitais têm sido assinaladas. Em 30 a 50% dos pacientes, os linfonodos são atingidos, geralmente, inguinocrurais (bulbão), sendo unilaterais em 2/3 dos casos; observados quase que exclusivamente no sexo masculino pelas características anatômicas da drenagem linfática. No início, ocorre tumefação sólida e dolorosa, evoluindo para liquefação e fistulização em 50% dos casos, tipicamente por orifício único.

Sinonímia
Cancróide, cancro venéreo simples.

Agente etiológico
Haemophilus ducrey, bastonete gram negativo.

Reservatório
O Homem.

Modo de transmissão
Sexual.

Período de incubação
De 3 a 5 dias, podendo atingir 14 dias.

Período de transmissibilidade
Semanas ou meses sem tratamento, enquanto durem as lesões. Com antibioticoterapia, 1 a 2 semanas.

Diagnóstico
Suspeita clínica, epidemiológica e laboratorial. Essa é feita por:
Exame direto - Pesquisa em coloração, pelo método de Gram, em esfregaços de secreção da base da úlcera ou do material obtido por aspiração do bulbão. Observam-se, mais intensamente, bacilos gram negativos intracelulares, geralmente aparecendo em cadeias paralelas, acompanhados de cocos gram positivos (fenômeno de satelismo).

Cultura - É o método diagnóstico mais sensível, porém de difícil realização pelas características do bacilo.

Diagnóstico diferencial 
Cancro duro, herpes simples, linfogranuloma venéreo, donovanose, erosões traumáticas infectadas. Não é rara a ocorrência do cancro misto de Rollet (multietiologia com o cancro duro da sífilis).

Tratamento
Procure seu médico ou uma uma unidade de saúde

Recomendações
O acompanhamento do paciente deve ser feito até a involução total das lesões; é indicada a abstinência sexual até a resolução completa da doença; o tratamento dos parceiros sexuais está recomendado mesmo que a doença clínica não seja
demonstrada, pela existência de portadores assintomáticos, principalmente entre mulheres; é muito importante excluir a possibilidade da existência de sífilis associada, pela pesquisa de Treponema pallidum na lesão genital e/ou por reação sorológica para sífilis, no momento e 30 dias após o aparecimento da lesão. A aspiração, com agulhas de grosso calibre, dos gânglios linfáticos regionais comprometidos pode ser indicada para alívio de linfonodos tensos e com flutuação; é contra-indicada a incisão com drenagem ou excisão dos linfonodos acometidos.

Características epidemiológicas
Ocorre principalmente nas regiões tropicais, em comunidades com baixo nível de higiene.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Objetivos
Interromper a cadeia de transmissão através da detecção e tratamento precoces dos casos e dos seus parceiros (fontes de infecção); Prevenir novas ocorrências por meio de ações de educação em saúde.

Notificação
Não é doença de notificação compulsória nacional. Os profissionais de saúde devem observar as normas e procedimentos de notificação e investigação de estados e municípios. A Coordenação Nacional de DST e AIDS, do Ministério da Saúde, está implantando um sistema de fontes de informações específicas para as doenças sexualmente transmissíveis, visando o aprimoramento de seu controle.

Medidas de controle
Interrupção da cadeia de transmissão pela triagem e referência dos pacientes com DST e seus parceiros para diagnóstico e terapia adequados;

Aconselhamento (confidencial) - Orientações ao paciente, fazendo com que ele discrimine as possíveis situações de risco presentes em suas práticas sexuais; desenvolva a percepção quanto à importância do seu tratamento e de seus parceiros sexuais e promoção de comportamentos preventivos;

Promoção do uso de preservativos - Método mais eficaz para a redução do risco de transmissão do HIV e outras DST; Convite aos parceiros para aconselhamento e promoção do uso de preservativos (deve-se obedecer aos princípios de confiabilidade, ausência de coerção e proteção contra a discriminação); Educação em saúde, de modo geral.

Observação - As associações entre diferentes DST são freqüentes, destacando- se, atualmente a relação entre a presença de DST e aumento do risco de infecção pelo HIV, principalmente na vigência de úlceras genitais. Desse modo, se o profissional estiver capacitado a realizar aconselhamento, pré e pós-teste para detecção de anticorpos anti-HIV, quando do diagnóstico de uma ou mais DST, deve ser oferecida essa opção ao paciente. Portanto, toda doença sexualmente transmissível constitui-se em evento sentinela para busca de outra DST e possibilidade de associação com o HIV. É necessário, ainda, registrar que o Ministério da Saúde vem implementando a “abordagem sindrômica” aos pacientes de DST, visando aumentar a sensibilidade no diagnóstico e tratamento dessas doenças, para alcançar maior impacto no seu controle.


Cadernos de atenção básica - Manual técnico para o controles da tuberculose - Versão Preliminar -



APRESENTAÇÃO

O presente Manual para o Controle da Tuberculose está voltado para os profissionais de saúde que atuam na atenção básica. Trata-se de um dos instrumentos destinados à capacitação de recursos humanos, como parte da mobilização nacional empreendida pelo Ministério da Saúde, em parceria com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, visando a intensificar as ações de controle da tuberculose e de eliminação da hanseníase.

A capacitação dos profissionais de saúde é a questão crucial para que esses objetivos sejam alcançados, visto que as demais condições necessárias já estão criadas, destacando-se a atualização do conhecimento técnico; a disponibilidade de recursos financeiros; o alto grau de descentralização da gestão das ações e serviços de saúde; e a extraordinária expansão dos Programas de Agentes Comunitários de Saúde e Saúde da Família, estratégias prioritárias na reorganização da atenção básica no País, mediante as quais é perfeitamente possível eliminar a hanseníase e controlar a tuberculose.

Essas doenças, apesar dos importantes resultados obtidos nos últimos anos, ainda configuram problemas de saúde pública no Brasil. Em relação à tuberculose, particularmente, estima-se que 50 milhões de brasileiros estejam infectados pelo bacilo, portanto com possibilidade de desenvolver a doença sob várias formas. Em função da transmissão pela tosse, a forma clínica pulmonar é a mais importante do ponto de vista epidemiológico.

Atualmente, o percentual de cura da tuberculose não ultrapassa 75% dos casos tratados, embora o Brasil tenha sido o primeiro País a implantar o tratamento de curta duração – seis meses – em 1980, obtendo relativo sucesso inicial. O percentual insatisfatório de cura decorre, sobretudo, do abandono do tratamento que, logo no início, confere ao paciente uma melhora notável. 

Devido em parte à associação da tuberculose com a aids, tem-se observado uma expansão recente da doença no País. Além disso, é importante considerar que o número de casos notificados não representa toda a realidade, dada a falta de diagnóstico ou a ausência de registro de casos.

A reversão desse quadro depende, principalmente, dos profissionais de saúde, sobretudo daqueles que integram as equipes das unidades básicas. Essas equipes precisam estar atentas e devidamente capacitadas para informar a população acerca da doença e dos meios de preveni-la, bem como para realizar o pronto diagnóstico dos casos suspeitos, iniciar rapidamente o tratamento e acompanhar os pacientes, de modo a garantir-lhes a cura plena.

A expectativa do Ministério da Saúde é que este Manual seja um instrumento efetivo para a atuação dessas equipes, auxiliando-as tanto na abordagem clínica do paciente, quanto nas questões operacionais das ações de controle da tuberculose em nosso País.

José Serra



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16 de nov de 2012

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Manual Técnico para o Controle da Tuberculose


APRESENTAÇÃO

O presente Manual para o Controle da Tuberculose está voltado para os profissionais de saúde que atuam na atenção básica. Trata-se de um dos instrumentos destinados à capacitação de recursos humanos, como parte da mobilização nacional empreendida pelo Ministério da Saúde, em parceria com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, visando a intensificar as ações de controle da tuberculose e de eliminação da hanseníase.

A capacitação dos profissionais de saúde é a questão crucial para que esses objetivos sejam alcançados, visto que as demais condições necessárias já estão criadas, destacando-se a atualização do conhecimento técnico; a disponibilidade de recursos financeiros; o alto grau de descentralização da gestão das ações e serviços de saúde; e a extraordinária expansão dos Programas de Agentes Comunitários de Saúde e Saúde da Família, estratégias prioritárias na reorganização da atenção básica no País, mediante as quais é perfeitamente possível eliminar a hanseníase e controlar a tuberculose.


Essas doenças, apesar dos importantes resultados obtidos nos últimos anos, ainda configuram problemas de saúde pública no Brasil. Em relação à tuberculose, particularmente, estima-se que 50 milhões de brasileiros estejam infectados pelo bacilo, portanto com possibilidade de desenvolver a doença sob várias formas. Em função da transmissão pela tosse, a forma clínica pulmonar é a mais importante do ponto de vista epidemiológico.

Atualmente, o percentual de cura da tuberculose não ultrapassa 75% dos casos tratados, embora o Brasil tenha sido o primeiro País a implantar o tratamento de curta duração - seis meses - em 1980, obtendo relativo sucesso inicial. O percentual insatisfatório de cura decorre, sobretudo, do abandono do tratamento que, logo no início, confere ao paciente uma melhora notável.

Devido em parte à associação da tuberculose com a aids, tem-se observado uma expansão recente da doença no País. Além disso, é importante considerar que o número de casos notificados não representa toda a realidade, dada a falta de diagnóstico ou a ausência de registro de casos.

A reversão desse quadro depende, principalmente, dos profissionais de saúde, sobretudo daqueles que integram as equipes das unidades básicas. Essas equipes precisam estar atentas e devidamente capacitadas para informar a população acerca da doença e dos meios de preveni-la, bem como para realizar o pronto diagnóstico dos casos suspeitos, iniciar rapidamente o tratamento e acompanhar os pacientes, de modo a garantir-lhes a cura plena.

A expectativa do Ministério da Saúde é que este Manual seja um instrumento efetivo para a atuação dessas equipes, auxiliando-as tanto na abordagem clínica do paciente, quanto nas questões operacionais das ações de controle da tuberculose em nosso País.

Barjas Negri
Ministro da Saúde

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Teníase / Cisticercose



Teníase / Cisticercose
CID 10: B68 A B69

ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS

Descrição

O complexo teníase/cisticercose constitui-se de duas entidades mórbidas distintas, causadas pela mesma espécie de cestódio, em fases diferentes do seu ciclo de vida. A teníase é provocada pela presença da forma adulta da Taenia solium ou da Taenia saginata, no intestino delgado do homem. A cisticercose é causada pela larva da Taenia solium nos tecidos, ou seja, é uma enfermidade somática. A teníase é uma parasitose intestinal que pode causar dores abdominais, náuseas, debilidade, perda de peso, flatulência, diarreia ou constipação. Quando o parasita permanece na luz intestinal, o parasitismo pode ser considerado benigno e só, excepcionalmente, requer intervenção cirúrgica por penetração em apêndice, colédoco, ducto pancreático, devido ao crescimento exagerado do parasita. A infestação pode ser percebida pela eliminação espontânea nas fezes de proglotes do verme. Em alguns casos, podem causar retardo no crescimento e no desenvolvimento das crianças, e baixa produtividade no adulto. As manifestações clínicas da cisticercose (larvas da Taenia solium) dependem da localização, tipo morfológico, número de larvas que infectaram o indivíduo, da fase de desenvolvimento dos cisticercos e da resposta imunológica do hospedeiro. As formas graves estão localizadas no sistema nervoso central e apresentam sintomas neuro-psiquiátricos (convulsões, distúrbio de comportamento, hipertensão intracraneana) e oftálmicos.

Sinonímia
Solitária, lombriga na cabeça.

Agente etiológico
Taenia solium é a tênia da carne de porco e a Taenia saginata é a da carne bovina. Esses dois cestódeos causam doença intestinal (teníase) e os ovos da T. solium desenvolvem infecções somáticas (cisticercose).

Reservatório
O homem é o único hospedeiro definitivo da forma adulta da Taenia solium e da Taenia saginata. O suíno doméstico ou javali é o hospedeiro intermediário da T. solium e o bovino é o hospedeiro intermediário da T. saginata, por apresentarem a forma larvária (Cysticercus cellulosae e C. bovis, respectivamente) nos seus tecidos.

Modo de transmissão
A teníase é adquirida através da ingesta de carne de boi ou de porco mal cozida, que contém as larvas. Quando o homem ingere, acidentalmente, os ovos de T. solium, adquire a cisticercose. A cisticercose humana por ingestão de ovos de T. saginata não ocorre ou é extremamente rara.

Período de incubação
Da cisticercose humana, varia de 15 dias a anos após a infecção. Para a teníase, em torno de 3 meses após a ingesta da larva, o parasita adulto já é encontrado no intestino delgado humano.

Período de transmissibilidade
Os ovos das tênias permanecem viáveis por vários meses no meio ambiente, que é contaminado pelas fezes de humanos portadores de teníase.

Complicações
Da teníase: obstrução do apêndice, colédoco, ducto pancreático. Da cisticercose: deficência visual, loucura, epilepsia, entre outros.

Diagnóstico
É clínico, epidemiológico e laboratorial. Como a maioria dos casos de teníase é oligossintomático, o diagnóstico comumente é feito pela observação do paciente ou, quando crianças, pelos familiares. Isso porque os proglotes são eliminados espontaneamente e, nem sempre, são detectados nos exames parasitológicos de fezes. Para se fazer o diagnóstico da espécie, em geral, coleta- se material da região anal e, através do microscópio, diferencia-se morfologicamente os ovos da tênia dos demais parasitas. Os estudos sorológicos específicos (fixação do complemento, imunofluorescência e hemaglutinação) no soro e líquido cefalorraquiano confirmam o diagnóstico da neurocisticercose, cuja suspeita é feita através de exames de imagem (RX, tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética de cisticercos calcificados). A biópsia de tecidos, quando realizada, possibilita a identificação microscópica da larva.

Diagnóstico diferencial
Na neurocisticercose, tem-se que fazer diagnóstico diferencial com distúrbios psiquiátricos e neurológicos (principalmente epilepsia por outras causas).

Tratamento
a) Teníase - Mebendazol - 200mg, 2 vezes ao dia, por 3 dias, VO; niclosamida ou clorossalicilamida - adulto e criança com 8 anos ou mais, 2g e crianças de 2 a 8 anos, 1g, VO, dividido em duas tomadas; praziquantel, VO, dose única, 5 a 10mg/kg de peso corporal; albendazol, 400mg/dia, durante 3 dias.

b) Neurocisticercose - Praziquantel, na dose de 50mg/kg/dia, durante 21 dias, associado à dexametasona para reduzir a resposta inflamatória, conseqüente à morte dos cisticercos. Pode-se usar também albendazol, 15 mg/dia, durante 30 dias, dividido em 3 tomadas diárias, associado a 100mg de metilpredinisolona, no primeiro dia de tratamento, a partir do qual se mantém 20mg/dia, durante os 30 dias. O uso de anticonvulsivantes, às vezes, se impõe, pois cerca de 62% dos pacientes são portadores de epilepsia associada.

Características epidemiológicas
A América Latina tem sido apontada por vários autores como área de prevalência elevada de neurocisticercose, que está relatada em 18 países latino-americanos, com uma estimativa de 350.000 pacientes. A situação da cisticercose suína nas Américas não está bem documentada. O abate clandestino de suínos, sem inspeção e controle sanitário, é muito elevado na maioria dos países da América Latina e Caribe, sendo a causa fundamental a falta de notificação. No Brasil, a cisticercose tem sido cada vez mais diagnosticada, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, tanto em serviços de neurologia e neurocirurgia quanto em estudos anatomopatológicos. A baixa ocorrência de cisticercose em algumas áreas do Brasil, como por exemplo nas regiões Norte e Nordeste, pode ser explicada pela falta de notificação ou porque o tratamento é realizado em grandes centros, como São Paulo, Curitiba, Brasília e Rio de Janeiro, o que dificulta a identificação da procedência do local da infecção. O Ministério da Saúde registrou um total de 937 óbitos por cisticercose no período de 1980 a 1989. Até o momento não existem dados disponíveis para que se possa definir a letalidade do agravo.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Objetivo
Manter permanente articulação entre a vigilância sanitária do setor saúde e das secretarias de agricultura, visando adoção de medidas sanitárias preventivas.
 Notificação
Não é doença de notificação compulsória. Entretanto, os casos diagnosticados de teníase e neurocisticercose devem ser informados aos serviços de saúde, visando mapear as áreas afetadas, para que se possa adotar as medidas sanitárias indicadas.

Definição de caso

Teníase - Indivíduo que elimina proglotes de tênia.
Cisticercose - paciente suspeito, com ou sem sintomatologia clínica, que apresenta imagens radiológicas suspeitas de cisticercos; paciente suspeito com sorologia positiva para cisticercose e/ou exames por imagem sugestivos da presença dos cistos.

Medidas de controle
a) Trabalho educativo da população - Uma das medidas mais eficazes no controle da teníase/cisticercose é a promoção de extenso e permanente trabalho educativo nas escolas e nas comunidades. A aplicação prática dos princípios básicos de higiene pessoal e o conhecimento dos principais meios de contaminação constituem medidas importantes de profilaxia. O trabalho educativo da população deve visar à conscientização, ou seja, a substituição de hábitos e costumes inadequados e adoção de outros que evitem as infecções.

b) Bloqueio de foco do complexo teníase/cisticercose - Foco do complexo teníase/cisticercose pode ser definido como sendo a unidade habitacional com pelo menos: indivíduos com sorologia positiva para cisticercose; um indivíduo com teníase; um indidíduo eliminando proglótides; um indivíduo com sintomas neurológicos suspeitos de cisticercose; animais com cisticercose (suína/bovina). Serão incluídos no mesmo foco outros núcleos familiares que tenham tido contato de risco de contaminação. Uma vez identificado o foco, os indivíduos deverão receber tratamento com medicamento específico.

c) Inspeção e fiscalização da carne - Essa medida visa reduzir, ao menor nível possível, a comercialização ou o consumo de carne contaminada por cisticercos e orientar o produtor sobre medidas de aproveitamento da carcaça (salga, congelamento, graxaria, conforme a intensidade da infecção), reduzindo perdas financeiras e dando segurança para o consumidor.

d) Fiscalização de produtos de origem vegetal - A irrigação de hortas e pomares com água de rios e córregos, que recebam esgoto ou outras fontes de águas contaminadas, deve ser coibida através de rigorosa fiscalização, evitando a comercialização ou o uso de vegetais contaminados por ovos de Taenia.

e) Cuidados na suinocultura - Impedir o acesso do suíno às fezes humanas e a água e alimentos contaminados com material fecal: essa é a forma de evitar a cisticercose suína.

f) Isolamento - Para os indivíduos com cisticercose ou portadores de teníase, não há necessidade de isolamento. Para os portadores de teníase, entretanto, recomenda-se medidas para evitar a sua propagação: tratamento específico, higiene pessoal adequada e eliminação de material fecal em local adequado. 

g) Desinfecção concorrente - É desnecessária, porém é importante o controle ambiental através da deposição correta dos dejetos (saneamento básico) e rigoroso hábito de higiene (lavagem das mãos após evacuações, principalmente).


Fonte: Doenças infecciosas e parasitárias - Guia de Bolso

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