15 de fev de 2010

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Meninas adolescentes revelam dificuldade em conseguir preservativo e em falar com os pais sobre sexo

Desde 2000, a epidemia de aids começou a mudar de comportamento entre os jovens no Brasil. Hoje, por exemplo, na faixa etária de 13 a 19 anos, a maior parte dos casos diagnosticados da doença está entre as mulheres. Entre os jovens de 20 a 24 anos, os casos se dividem de forma equilibrada entre os dois gêneros.

Na avaliação do médico especialista em jovens Ricardo Azevedo, os adolescentes têm informações sobre as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e a aids, porém a juventude atual não viveu o início da epidemia, e como hoje, apesar da aids ainda matar muitas pessoas, há tratamento, a doença foi um pouco esquecida.

“O medo das garotas, no geral, é de ter que enfrentar uma gravidez indesejada, e não alguma DST. De certa forma elas não se sentem vulneráveis”, comentou.

O médico infectologista do Hospital Nove de Julho, de São Paulo, Marcelo Litvoc cita dados da pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira para justificar a vulnerabilidade das adolescentes.

Segundo esta pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde em 2009, 33,6% das adolescentes, entre 13 e 24 anos, não usam preservativos em relações casuais.

“O número é alto, e é mais comum que as mulheres não usem o preservativo com um parceiro fixo.”

A agente de prevenção e ativista Karina Ferreira da Cruz, 22 anos, diz que o acesso ao preservativo feminino é muito difícil.

Segundo ela, nas Unidades Básicas de Saúde, por exemplo, a garota antes de receber o preservativo, precisa fazer um cadastro para participar de reuniões de planejamento familiar.

“As meninas não têm interesse nessa fase da vida em realizar esse tipo de procedimento”, comentou. “Na realidade, a única coisa que interessa no momento é a facilidade de acesso ao preservativo, até mesmo porque a intenção é rolar o sexo e não montar uma família”, acrescenta.

Ká, como gosta de ser chamada, vive com HIV desde que nasceu.

Hoje, casada com um rapaz que não é soropositivo, Ká diz usar o preservativo em todas as relações sexuais.

Eliane Correia, de 19 anos, é estudante de jornalismo e ex-integrante do Centro de Documentação e Educação sobre viver e conviver com HIV/Aids. Para ela, a “curiosidade exagerada” dos jovens pode levar a infecção.

“Nessa época tudo acontece, como o primeiro beijo, as amizades mais intensas, o namoro, a primeira transa e também a negociação ou não do preservativo. Pelas conversas que ouço em rodas de amigas, elas alegam não usar o preservativo porque têm dificuldade de negociar o preservativo com o parceiro.”

Na opinião da jovem, a falta de conversa sobre sexualidade dos pais com as meninas influencia no aumento do caso de aids entre elas.

“Geralmente o menino como tem fama de pegador, os pais falam mais sobre sexo, mas já com as meninas o tratamento é diferente. Existe um excesso de proteção e os pais tendem a pensar que as meninas ainda não fazem sexo”, comentou.

Eliene sugere atividades de prevenção, com distribuição de preservativos e testes-rapidos de HIV, em casas noturnas e bares frequentados pelos jovens.

Fonte: Agenciaaids

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