20 de out de 2010

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5.5 - Drogas, Sociedade e Cultura

5.5 - Drogas, Sociedade e Cultura.

O uso de drogas é universal. Porém, pessoas diferentes, de culturas diferentes, lidam com essa questão de maneiras diferenciadas.

Drogas Psicoativas & Culturas

Povos

Drogas

Chile

MDA e MMDA (derivados da Noz-moscada) a droga da análise Utilizada por terapeutas como “agente ampliador” dos sentidos do paciente

Norte do Gabão e Congo(África, então sob domínio colonial alemão)

Iboga ou eboka - utilizada como estimulante em marchas cansativas, foi adotada pela medicina oficial na França e América do Sul como o primeiro antidepressivo

África Ocidental e

Amazônia Xamânica

Ibogaína (cascas e raízes)

Planícies Meridionais (EUA)

Feijão vermelho

Mulheres Fang (Gabão)

Eboka, cânhamo (cannabis) Pedaços de mascar co eboka, cânhamo,

México

Tabaco e cinzas.

Velho Mundo e Florestas Tropicais

Rituais com cogumelos Arruda Síria (fonte dos corantes vermelhos dos tapetes turcos) ou caapi ou yagé, na Amazônia.

Universidade da Califórnia/

Los Angeles

LSD 25 como bloqueador da dopamina no tratamento de Esquizofrenia e Mal de Parkinson

Egito Antigo

Cannabis, haxixe e ópio

Cuba

Haxixe

Inglaterra

Cannabis como droga medicinal reconhecida



Diferenças Culturais – Alguns exemplos de como são tratados os comportamentos humanos em diferentes partes do mundo.

Povos

Permitido

Proibido

Mulçumanos

Café

Álcool

Cristãos do século 17

Vinho

Café

Índios norte-americanos

Payot e tabaco

Álcool

Hindus

Maconha

Opiáceos e álcool

Brasileiros

Álcool, café e tabaco, Daime e cola

Maconha, cocaína, crack, Oxi, Mescla e heroína

Ásia no 5º Milênio a.c.

Ópio e haxixe

Ásia, em 1218, com Gengis Khan

Haxixe, Cannabis - sob a pena de ter as solas dos pés e os dentes arrancados



REFLEXÃO

É muito difícil encontrar informações neutras sobre as drogas. Não podemos dizer que estamos livres de preconceitos sobre elas, mas tentaremos relacionar fatos imparciais sobre as drogas psicoativas mais encontradas no Brasil. As drogas em si não são boas nem más, porém são substâncias poderosas que podem ser usadas de forma boa ou ruim. O abuso de drogas não é a simples utilização de substâncias não aprovadas; o abuso é o uso de qualquer substância de maneira que enfraquecem a saúde física ou mental ou o funcionamento social.
O abuso surge de relações ruins com as drogas, e aprender a reconhecer essas relações cedo, é uma chave para a prevenção do abuso. Relações ruins com as drogas surgem da ignorância ou perda da consciência sobre a natureza de uma substância e seus efeitos, e do excesso de seu uso a ponto de perder o efeito desejado inicialmente. O excesso de uso, por sua vez, leva à dificuldade de abandonar a droga e a um eventual enfraquecimento da saúde a da produtividade.
Nosso interesse é pela relação que as pessoas formam com as drogas, sejam lícitas ou ilícitas, aprovadas ou não. A verdade sobre as drogas não pode causar mal algum. Ela pode ofender sensibilidades e perturbar àqueles que não querem escutar, mas não pode prejudicar ninguém. Por outro lado, informações falsas podem levar, e levam, as pessoas a se prejudicar e prejudicar os outros.
Acreditamos que, ao apresentar informações sobre essas substâncias de forma neutra, não estamos encorajando ou desencorajando o uso de qualquer droga, mas sim ajudando as pessoas a viver sem se prejudicar num mundo em que as drogas existem. As pessoas precisam aprender a observar e analisar as suas relações e as relações dos outros com as drogas. Como perceber o seu próprio comportamento por si só costuma ser difícil, vale prestar atenção às impressões de outras pessoas sobre o seu uso de drogas e ajuda dizer a eles as suas impressões sobre o uso que eles fazem das drogas.
Por maior que seja a influência (positiva ou negativa) do grupo, a opção por usar drogas ou não, só depende da própria pessoa. Para isso, é necessário criar condições que favoreçam uma decisão informada, inclusive quando a decisão é pelo uso, através de um uso menos danoso.
Aprender a reconhecer o abuso de substâncias psicoativas é importante porque o tratamento não é fácil, e quanto mais cedo o problema for identificado, melhor as chances de corrigi-lo. A prevenção ao abuso de substâncias psicoativas é sempre muito mais fácil do que o tratamento. Como já dissemos, a prevenção depende da informação, da consciência e da exploração das alternativas às substâncias psicoativas. Para aqueles que decidem usar drogas, a prevenção também depende da associação com pessoas que as usam de forma inteligente, em vez de pessoas que praticam o abuso, e de escolhas inteligentes sobre que substâncias utilizar e como fazê-lo.


Boas relações com as drogas têm quatro características básicas que ajudam o agente de saúde a identificar o tipo de relação que o usuário estabelece com o seu consumo de drogas:

  • Reconhecendo que a substância que se está usando é uma droga e a consciência do que ela provoca no seu corpo. Pessoas que acabam tendo relações terríveis com as drogas costumam entender pouco a substância que estão usando. Elas pensam que café é apenas uma bebida, maconha é só uma erva e pílulas de dieta são apenas “supressores do apetite”. Todas as drogas têm o potencial de causar problemas, a menos que as pessoas se cuidem e não deixem o uso sair do seu controle. Um primeiro passo necessário é reconhecer a natureza das substâncias em uso e seus efeitos.

  • Experimentando um efeito útil da droga ao longo do tempo. Pessoas que começam a usar drogas com regularidade sempre acham que suas experiências iniciais foram as melhores; ao utilizar as substâncias com mais e mais freqüência, os efeitos parecem diminuir. As pessoas que têm as piores relações com as drogas costumam usá-las com intensidade, mas conseguem um mínimo de efeito. Esse curioso padrão se repete com qualquer droga e pode ser muito frustrante. A freqüência do uso é um fator crítico para se determinar se o efeito da droga vai ter longa duração. Se a sensação que você experimenta com a droga começa a desaparecer, este é o “sinal” de que você está usando em grande quantidade ou com muita freqüência (aumentou a sua tolerância). Se você ignora o “sinal” e continuar consumindo a droga com a mesma freqüência, sua relação com a droga tende a piorar cada vez mais.

  • Facilidade de separação do uso da droga. Uma das características mais marcantes de uma relação ruim com uma droga é a dependência: ela controla você mais do que você a controla. Pessoas que mantém boas relações com as drogas podem usá-las e abandoná-las.

  • Isenção de efeitos adversos na saúde ou comportamento. As pessoas variam no seu nível de susceptibilidade aos efeitos adversos das drogas. Alguns indivíduos podem fumar cigarros a vida toda, sem jamais desenvolver doenças pulmonares. Algumas pessoas podem cheirar cocaína freqüentemente e permanecer física e psicologicamente saudáveis e socialmente produtivas. Outras não. Usar drogas de maneira que produzem efeitos adversos na saúde e no comportamento e continuar o uso a despeito desses efeitos é uma das características que definem a dependência de drogas.

  • Sabe-se que os tratamentos para dependência/abuso de drogas são caros, raros e a maioria das terapias não se adequam a alguns usuários. O que a sociedade em geral pode e deve fazer é somar esforços canalizando-os para o trabalho preventivo do uso indiscriminado de substâncias, ajudando o usuário a não se tornar um “abusuário”. O reconhecimento do abuso de drogas não se reduz à aplicação de estereótipos sobre o usuário (checar pupilas dilatadas, olhos vermelhos ou certos tipos de vestimentas ou comportamento).

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