19 de out de 2010

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2.1 - Componentes de vulnerabilidade

A - Vulnerabilidade Individual ou pessoal: está associada a comportamento que criam a oportunidade de infectar-se e/ou adoecer, sofrer danos ligados à violência, nas diversas situações conhecidas de transmissão do HIV (relação sexual desprotegida uso de drogas injetáveis, etc). O exemplo disso, os usuários de cocaína injetável tem riscos adicionais frente ao HIV/Aids e demais infecções, transmissíveis sexualmente ou através do sangue apresentam um padrão de uso de drogas em que utilizam água de sarjeta ou equivalente para diluir a droga, aplicando-se as injeções várias vezes no mesmo dia (padrão chamado in binges); compartilham e reutilizam agulhas e seringas.
Depende do grau e da qualidade da informação que os indivíduos dispõem sobre o problema, da sua capacidade de elaborar informações e incorpora-las ao seu repertório cotidiano e também das possibilidades efetivas de transformar suas práticas, considerando o grau de consciência que os indivíduos têm dos possíveis danos decorrentes de comportamentos associados à maior vulnerabilidade. Conhecimentos e comportamentos têm significados e repercussões muito diversificados na vida das pessoas, dependendo de uma combinação, sempre singular de características individuais, contextos de vida e relações interpessoais que se estabelecem no dia-a-dia. Por isso não podemos dizer que uma pessoa é vulnerável e sim, que está vulnerável a alguma coisa, em um determinado momento de sua vida.

B - Vulnerabilidade Social: No plano social, vulnerabilidade está relacionada a aspectos sócio-políticos e culturais combinados, como o acesso à informação, o grau de escolaridade, condições de vida, cultura, ambiente, relações de gênero, relações entre gerações, etc. Ela pode ser entendida como um espelho das condições de bem estar social, que envolvem moradia, acesso a serviços e bens de consumo, graus de liberdade de pensamento e expressão, sendo tanto maior a vulnerabilidade quanto menor a possibilidade de interferir nas instâncias de tomada de decisão. Para avalia-la é necessário conhecer a situação de vida da coletividade através de aspectos como: legislação em vigor e sua aplicação, situações de acesso aos serviços de saúde por parte das pessoas de diferentes extratos sociais, qualidade dos serviços de saúde aos quais se tem acesso. Por exemplo: a situação atual da mulher na sociedade (menores salários, ausência de leis de proteção, exposição a violências e restrições de exercício da cidadania) aumenta a vulnerabilidade social das mulheres à epidemia.



C - Vulnerabilidade Pragmática ou institucional: a vulnerabilidade está associada à existência de política de prevenção e/ou de enfretamento dos problemas associados ao abuso/dependência de substâncias psicoativas, à AIDS. Pode ser avaliada a partir de aspectos como o compromisso das autoridades com o enfrentamento do problema; ações efetivamente propostas e implantadas por essas autoridades, coalizão interinstitucional e intersetorial (saúde, educação, bem estar social, trabalho, etc) para a ação; planejamento e gerenciamento dessas ações; financiamento adequado e estável dos programas; continuidade dos programas; avaliação e retro alimentação dos programas; sintonia entre programas institucionalizados e aspirações da sociedade; vínculos entre instituições e a sociedade civil organizada. Quanto maiores forem o compromisso, a integração e o monitoramento de programas de prevenção e cuidado, maiores serão as chances de canalizar os recursos, de otimizar seu uso e de fortalecer os indivíduos e a sociedade frente às questões em foco.

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