18 de out de 2010

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Leptospirose

Descrição - Doença infecciosa febril de início abrupto, que pode variardesde um processo inaparente até formas graves com alta letalidade. A forma anictérica acomete 90% a 95% dos casos e, quando leve, é freqüentemente rotulada como “síndrome gripal”, “virose”, influenza ou dengue. Se o quadro é moderado ou grave pode apresentar duas fases:

Fase septicêmica - Dura de 4 a 7 dias, com febre, cefaléia, mialgias, anorexia, náuseas e vômito. Pode haver hepatomegalia e, mais raramente, esplenomegalia, hemorragia digestiva, fotofobia, dor torácica, tosse seca ou com expectoração hemoptóica. Distúrbios neurológicos (confusão, delírio e alucinações) e sinais de irritação meníngea podem estar presentes; hemoptise franca pode ocorrer de forma súbita e levar a óbito por asfixia;

Fase imune - Dura de uma a 3 semanas, com cefaléia intensa, sinais de irritação meníngea, miocardite, hemorragia ocular, exantemas maculares, maculopapulares, urticariformes ou petéquias, entre outros sintomas.

A forma ictérica (doença de Weil) evolui, além da icterícia, com insuficiência renal, fenômenos hemorrágicos e alterações hemodinâmicas. Com freqüência exige cuidados intensivos (UTI). Suas taxas de letalidade variam entre 5% e 20%.

Sinonímia - Doença de Weil, síndrome de Weil, febre dos pântanos, tifo canino e outras. Desaconselha-se a utilização desses termos, pois são passíveis de causar confusão.

Agente etiológico - Bactéria helicoidal (espiroqueta) aeróbica obrigatória do gênero Leptospira. Das espécies patogênicas, a mais importanteé a L. interrogans, com mais de 200 sorovares identificados. Cada um tem os seus hospedeiros preferenciais, mas cada espécie animal pode albergar um ou mais sorovares.

Reservatório - Os animais são os reservatórios essenciais de leptospiras; o principal é constituído pelos roedores sinantrópicos (ratos domésticos).

O Rattus norvegicus (ratazana ou rato-de-esgoto) é o principal portador do sorovar Icterohaemorraghiae, um dos mais patogênicos para o homem. Reservatórios de menor importância: caninos, suínos, bovinos, eqüinos, ovinos e caprinos.

Modo de transmissão - A infecção humana resulta da exposição à urina de animais infectados, principalmente roedores, diluída em coleções hídricas ou águas e lama de enchente. Raramente pelo contato direto com sangue, tecido, órgão ou urina de outros animais infectados.

Período de incubação - De 1 a 30 dias (em média de 7 a 14 dias).

Período de transmissibilidade - Os animais infectados podem eliminar leptospiras pela urina durante meses, anos ou por toda a vida, segundo a espécie animal e o sorovar envolvido. A transmissão interhumana é rara e sem importância epidemiológica.

Complicações - Hemorragia digestiva e pulmonar maciça, pneumonia intersticial, insuficiência renal aguda, distúrbios do equilíbrio hidreletrolítico e ácido-básico, colapso cardiocirculatório, insuficiência cardíaca congestiva, falência de múltiplos órgãos e morte.

Diagnóstico - Sempre que possível, a suspeita clínica deve ser confirmada por métodos laboratoriais específicos. Os métodos sorológicos mais utilizados em nosso meio são o teste Elisa-IgM e a microaglutinação.

Para esclarecimento etiológico de óbitos: testes histopatológicos convencionais e pesquisa de leptospiras por colorações especiais ou imunohistoquímica (cérebro, pulmão, rim, fígado, pâncreas, coração e músculo esquelético).

Diagnóstico diferencial

Forma anictérica - “Virose”, dengue, influenza, hantaviroses, arboviroses, apendicite aguda, sepse, febre tifóide, pneumonia, pielonefrite aguda, riquetsioses, toxoplasmose, meningites, doença de Chagas aguda e outras;

Forma ictérica - Sepse, hepatites virais, febre tifóide, febre amarela, malária grave, riquetsioses, colangite, colecistite aguda, coledocolitíase, síndrome hemolítico-urêmico grave, síndrome hepatorrenal, esteatose aguda da gravidez, doença de Chagas aguda e outras.

Tratamento – Procure seu médico ou posto de saúde.

Características epidemiológicas - É uma zoonose de grande importância social e econômica e sua ocorrência está freqüentemente relacionada a precárias condições de infra-estrutura sanitária e alta infestação de roedores. Ocorre em áreas urbanas e rurais. Toda a população é suscetível e a faixa de 20 a 49 anos é o principal grupo etário afetado. As inundações propiciam a disseminação e persistência das leptospiras no ambiente, facilitando a eclosão de surtos. Algumas atividades e profissões facilitam o contato com as leptospiras: limpeza e desentupimento de esgotos, catadores de lixo, agricultores, veterinários, tratadores de animais, pescadores, magarefes, laboratoristas, bombeiros, nadadores e militares em manobras, dentre outras.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Objetivos - Monitorar a ocorrência de casos e surtos e determinar sua distribuição espacial e temporal; reduzir a letalidade da doença, através do diagnóstico e tratamento precoces e adequados; identificar os sorovares circulantes em cada área; direcionar as medidas preventivas e de controle destinadas à população, ao meio ambiente e aos reservatórios animais.

Notificação - É doença de notificação compulsória nacional.

Definição de caso

Suspeito - Indivíduo com febre de início súbito, mialgias, cefaléia, mal-estar e/ou prostração, associados a um ou mais dos seguintes sinais ou sintomas: sufusão conjuntival ou conjuntivite, náuseas e/ou vômitos, calafrios, alterações do volume urinário, icterícia, fenômeno hemorrágico e/ou alterações hepáticas, renais e vasculares compatíveis com leptospirose ictérica (síndrome de Weil) ou anictérica grave, ou indivíduo que apresente sinais e sintomas de processo infeccioso inespecífico com antecedentes epidemiológicos sugestivos nos últimos 30 dias anteriores a data de início dos primeiros sintomas. Considera-se como antecedentes epidemiológicos sugestivos: exposição a enchentes, lama ou coleções hídricas potencialmente contaminadas; exposição a esgoto e fossas; atividades que envolvam risco ocupacional (coleta de lixo, limpeza de córregos, trabalho em água ou esgoto, manejo de animais, agricultura em áreas alagadas, dentre outras), presença de animais infectados nos locais freqüentados pelo paciente;

Confirmado - Todo caso suspeito com confirmação laboratorial da doença (critério clínico-laboratorial) ou com clara evidência de associação epidemiológica que, por algum motivo, não tenha realizado o diagnóstico laboratorial ou este apresente resultado sorológico não-reagente com amostra única coletada antes do 7º dia de doença (critério clínico-epidemiológico).

MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE

Relativas às fontes de infecção

• Notificação, busca e confirmação de dados do paciente, investigação epidemiológica de casos e detecção de áreas de risco;
• Controle de roedores (anti-ratização e desratização) e melhoria das condições higiênico-sanitárias da população: armazenamento apropriado de alimentos; destino adequado do lixo; cuidados com a higiene; remoção e destino adequado de resíduos alimentares humanos e animais; manutenção de terrenos baldios murados e livres de mato e entulhos;
• Segregação e tratamento de animais doentes (de produção ou companhia); cuidados com suas excretas e desinfecção permanente dos locais de criação.

Relativas às vias de transmissão
• Utilização de água potável, filtrada, fervida ou clorada para consumo humano;
• Vigilância sanitária de alimentos: produção, armazenamento, transporte e conservação; descarte de alimentos que entraram em contato com águas contaminadas;
• Limpeza e desinfecção de áreas domiciliares potencialmente contaminadas, com solução de hipoclorito de sódio a 2,5% (um copo de água sanitária para um balde de 20 litros de água);
• Construção e manutenção das galerias de águas pluviais e esgotos; desassoreamento, limpeza e canalização de córregos; emprego de técnicas de drenagem de águas livres.

Relativas ao suscetível
• Assistência médica adequada e oportuna;
• Medidas de proteção individual para trabalhadores ou indivíduos expostos a risco, através do uso de equipamentos de proteção individual como luvas e botas;
• Redução do risco de exposição de ferimentos às águas/lama de enchentes ou outra situação de risco;
• Imunização de animais domésticos (cães, bovinos e suínos) com vacinas de uso veterinário. Não existe vacina para uso humano disponível no Brasil e as ações de educação em saúde são expressivas na prevenção da doença.

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