7 de nov de 2010

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Modos de transmissão da Hepatite B


O vírus da hepatite B está presente no sangue ou fluidos corpóreos, como exsudato de feridas, sêmen, secreções cervical (colo uterino) e vaginal, e saliva de pessoas portadoras do vírus (HBsAg positivas). O sangue é o que contém a mais alta concentração do vírus, e a saliva a menor. O vírus da hepatite B não é transmitido pela via fecal-oral.

As pessoas com infecção crônica pelo vírus da hepatite B são os reservatórios primários da infecção. Os modos de transmissão podem ser os seguintes:

1 - Transfusão de sangue e componentes ou produtos derivados do plasma.

Hoje em dia, a transmissão através de transfusão de sangue total está praticamente controlada. Os componentes do sangue são aqueles obtidos a partir do sangue total em bancos de sangue e são os seguintes: concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas, plasma, concentrado de granulócitos (glóbulos brancos). Os derivados do plasma são obtidos por processo industrial, a partir de um pool de plasma de vários doadores que é, a seguir, fracionado, para a obtenção dos produtos (proteínas) desejados, passando por processos vigorosos de inativação viral.

Nos Estados Unidos, esse modo de transmissão tornou-se mais raro depois de estabelecida a triagem obrigatória dos doadores de sangue e a inativação viral de produtos derivados do plasma. Antes, era freqüente a infecção em pessoas com distúrbios de coagulação, que recebiam fatores de coagulação.

2 - Compartilhamento ou reutilização de agulhas, seringas, canudos ou cachimbos.

Os mais expostos são os usuários de drogas injetáveis, inaláveis e crack. A infecção pelo HBV é adquirida relativamente rápido pelos usuários de drogas injetáveis, sendo que 50 a 70% dos mesmos tornam-se infectados após 5 anos do início de uso.

3 - Exposição percutânea, ou de mucosa, a sangue ou fluidos corpóreos

É uma das formas de transmissão ocupacional do HBV. O risco de infecção pelo vírus da hepatite B está relacionado ao grau de contato com sangue no local de trabalho e quantidade de sangue envolvido, extensão do ferimento e também à presença do marcador HBeAg da pessoa fonte. Em estudos com profissionais de saúde que se acidentaram com agulhas contendo sangue, se este contivesse HBsAg e HBeAg reagentes, o risco de desenvolver evidência sorológica de infecção pelo vírus B era de 37 a 62%. Em comparação, se o sangue contido nas agulhas fosse HBsAg reagente e HBeAg não reagente, o risco de evidência sorológica de infecção era de 23 a 37% (CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2001b). O ambiente contaminado também parece ter sido um reservatório importante do vírus para profissionais que cuidaram de pacientes HBsAg positivos e foram infectados sem terem sofrido acidente percutâneo. O vírus da hepatite B sobrevive no sangue seco à temperatura ambiente, em superfícies ambientais, por pelo menos uma semana.

O contato direto de mucosas e pele não íntegras (queimaduras, escoriações, arranhaduras ou outras lesões) com superfícies contaminadas pode transmitir o HBV. Isso está demonstrado em investigação de surtos entre profissionais e pacientes, em unidades de hemodiálise. Em estudos epidemiológicos conduzidos nos Estados Unidos, na década de 70, a soroprevalência de infecção por HBV entre os profissionais de saúde era dez vezes maior que na população geral.

Depois da adoção de medidas de prevenção – como a vacinação pré-exposição de todos os profissionais de saúde, com a vacina da hepatite B e a adoção de precauções padrão, quando houvesse risco de exposição a sangue e a outros fluidos corpóreos potencialmente infectantes –, ocorreu um rápido declínio na ocorrência de hepatite B, entre os profissionais de saúde (CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2001b).

O sangue é o fluido corpóreo que contém a concentração mais alta de HBV e é o veículo de transmissão mais importante em estabelecimentos de saúde. O HBsAg também é
encontrado em vários outros fluidos corpóreos, incluindo leite materno, bile, líquido cefalorraquidiano, fezes, lavados nasofaríngeos, saliva, sêmen, suor e líquido sinovial. A concentração de partículas virais infectantes varia nos diversos compartimentos e a maioria deles não é bom veículo de transmissão do HBV (que não tem poder infectante) (CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2001b).

4 - Atividade sexual

Pode ser transmitido em indivíduos com comportamento homossexual ou heterossexual através de práticas sexuais. Há risco acrescido de transmissão do HBV na população de homossexuais em relação à de heterossexuais, evidenciadas através de vários estudos de coorte e corte transversal (JEFFRIES et al, 1973; SZMUNESS et al, 1975; DIETZMAN et al, 1977; MELE et al, 1988; FIGUEROA et al, 1997).

5 - Transmissão pessoa a pessoa

Pode ocorrer entre comunicantes domiciliares, quando um dos residentes é cronicamente infectado pelo HBV. Esse modo de transmissão deve ser considerado em instituições para portadores de deficiências mentais, onde haja residentes ou não residentes. Se houver um portador do vírus B, o risco de exposição para outros pacientes e para profissionais de saúde é maior.

6 -Transmissão por objetos inanimados
Pode ser possível, através do uso compartilhado, escovas de dente e barbeadores, devido à sobrevivência do vírus no meio ambiente.

7 -Transmissão de mãe para filho

O risco de transmissão no período perinatal é de 70 a 90%, se a mãe é HBeAg positiva Se a criança não foi infectada nesse período, estará sob alto risco de ser infectada nos primeiros cinco anos de vida, através da transmissão horizontal (SÃO PAULO, 2002). A transmissão transplacentária do HBV é descrita, embora de ocorrência pouco comum, segundo alguns autores (GONÇALVES JÚNIOR, 1996).

8 - Leite materno

O HBsAg pode ser detectado no leite materno de mães HBsAg positivas; no entanto a amamentação não traz riscos adicionais para os RNs dessas mães, desde que os mesmos tenham recebido a primeira dose da vacina e imunoglobulina humana anti-hepatite B, nas primeiras 12 horas de vida (PICKERING, 2000).

9 - Hemodiálise

A transmissão do HBV pode ser por exposição percutânea ou de mucosa ao vírus. Além disso, o vírus pode estar presente no ambiente, mesmo sem sangue visível. O HBsAg tem sido detectado em braçadeiras, tesouras, botões de controle das máquinas de diálise e maçanetas das portas em centros de hemodiálise. Assim, se essas superfícies não são rotineiramente limpas e desinfetadas, podem representar um reservatório do vírus, podendo os profissionais transmitirem o vírus aos pacientes, através de mãos ou luvas contaminadas.


A maioria dos surtos de infecção por HBV, em hemodiálise, investigados, ocorreu por contaminação cruzada entre pacientes por:

• superfícies ambientais ou equipamentos que não foram rotineiramente limpos e desinfetados depois de cada uso;
• frascos de medicação multidose ou soluções intravenosas, que não foram usadas exclusivamente em cada paciente;
• medicações injetáveis que foram preparadas em áreas próximas às áreas de armazenamento das amostras de sangue;
• profissionais de saúde que cuidavam simultaneamente de pacientes infectados e não infectados pelo vírus B (CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2001a).

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