6 de nov de 2010

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Uretrite não gonocócica

Uretrite não gonocócica:

A Chlamydia trachomatis é o agente mais comum. Essa bactéria, obrigatoriamente intracelular, tem no homem um período de incubação que varia de 10 a 21 dias, sua transmissão tem 20% de risco por intercurso sexual. Estima-se que dois terços das parcerias estáveis de homens com uretrites não gonocócicas hospedem a Chlamydia trachomatis no endocérvix podendo reinfectar seu parceiro sexual se permanecer sem tratamento. Muitos infectados pela clamídia são assintomáticos, outros apresentam uma secreção clara e mucóide, raramente purulenta e abundante, acompanhada de disúria leve ou moderada, em algumas situações o meato uretral encontra-se edemaciado, hiperemiado e com alguma sensibilidade dolorosa ou de formigamento.

As complicações urológicas das uretrites masculinas são preveníveis bastando que o homem infectado seja prontamente diagnosticado e tratado, assim como suas parcerias sexuais. No caso da Clamídia, a principal complicação dessa uretrite é a epididimite, com duração que varia até seis semanas, caracterizada pelo aumento do epidídimo, edema, hiperemia e dor em um lado da bolsa testicular podendo ser acompanhado de febre, inapetência e dificuldade de locomoção.

O diagnóstico laboratorial das uretrites pode ser realizado por meio do exame direto da secreção, bacterioscopia, cultura e teste de biologia molecular. Para a C. trachomatis, podemos usar a técnica de Giemsa, imunofluorescência direta, detecção por métodos imunoenzimáticos, detecção de anticorpos, histopatologia (Papanicolaou) e biologia molecular. Nos casos de N. gonorrhoeae, a análise da secreção por meio da técnica de Gram, que apresenta sensibilidade e especificidade de 90% e 98% respectivamente, cultura em meio de Thayer - Martin e biologia molecular (Captura Híbrida e PCR). O exame a fresco (exame direto) é utilizado para o diagnóstico de tricomonas. Deve-se considerar a influência de utilização prévia de antibióticos ou micção imediatamente anterior à coleta do material, o que poderia comprometer sua qualidade (falso-negativo).

O tratamento da síndrome do corrimento uretral masculino poderá ser realizado pela abordagem etiológica ou sindrômica. A abordagem etiológica é baseada na identificação do agente. Portanto, requer laboratório, pessoal treinado e manutenção de insumos. O tratamento depende do resultado de exames, necessitando, muitas vezes, agendamento para retorno, com consequente perda de oportunidade de tratamento e favorecimento da cadeia de transmissão. E também, os recursos laboratoriais não estão disponíveis na atenção básica. A coleta de material biológico para exames pode ser desagradável e, em alguns casos, muito dolorosa. Entretanto, a abordagem sindrômica é baseada no conjunto de sinais e sintomas (síndrome) e os agentes mais frequentemente associados. É altamente sensível, pois não omite as infecções mistas. Trata o paciente na primeira visita, pois não há espera com resultado de exames. Utiliza fluxogramas que podem ser manejados por profissionais de saúde devidamente treinados: médico (a) e enfermeiro (a) (com protocolo aprovado). Contempla o aconselhamento, a busca de outras DST e intervenções na cadeia de transmissão (tratamento das parcerias sexuais). Portanto, o diagnóstico e o tratamento da síndrome do corrimento uretral masculino são feitos pela abordagem sindrômica, ou seja, o paciente com queixa de corrimento uretral seguirá o fluxograma (a seguir), e deverá passar por anamnese e exame físico, e se houver disponibilidade no momento da consulta, o exame bacterioscópico, poderá ser realizado. Como não se pode descartar a possibilidade de co-infecção de clamídia e gonococo (presente em 15 a 35% dos casos), o paciente deverá receber tratamento para ambas as infecções, em caso da não disponibilidade do exame bacterioscópico ou quando este for positivo para a presença de diplococos Gram-negativo intracelular. Quando negativo, trata-se somente a clamídia.

O tratamento adequado dos casos diagnosticados promove a remissão dos sintomas em poucos dias. Importante salientar que o paciente deverá passar por aconselhamento, onde deverão ser oferecidos os exames anti-HIV, VDRL e Hepatites B e C se disponíveis, assim como a vacina para hepatite B; os contatos sexuais que ocorrerem até 60 dias antes do início do quadro deverão ser comunicados e tratados; o retorno agendado e o caso notificado. A adoção de práticas sexuais seguras, associada ao bom desempenho na execução do atendimento, assim como a busca da quebra de cadeia de transmissão, deverá ser abordada como peças-chave para o controle do agravo.

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