20 de out de 2010

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6.12 – Biosegurança

6.12 – Biosegurança

A manipulação de matérias contaminados exige cautela, treinamento exaustivo e utilização de materiais proteção apropriado. Mesmo quando todos estes cuidados são observados, é possível haver acidentes (ainda que o número muito reduzido), e, portanto, todo pessoal atuando no campo e manipulado estes materiais tem de contar com a retaguarda de serviços de saúde capacitados para tal – capazes para de instituir condutas profiláticas para o HIV e os agentes das hepatites virais (onde as normas de profilaxia estão menos claramente estabelecidas do que no caso do HIV).

A manipulação desses materiais devem se dar de preferência em local relativamente espaçoso e bem iluminado, o que nem sempre acontece nas situações de campo, exigindo atenção e cuidados redobrados, se beneficia das superfícies irregulares e /ou estreitas, além do equipamento padrão: luvas, pinças, recipientes para descarte seguro, calçados fechados e reforçados.


É preciso deixar claro que a filosofia da RD não se aplica exclusivamente à clientela, mas igualmente aos agentes de saúde ou redutores ao conjunto de profissionais envolvidos na operação e gestão dos PRDs.

Todos os cuidados devem ser tomados com relação à integridade dos agentes de saúde (seja com relação à violência, a acidentes ou a condições de insalubres de trabalho), e especial atenção deve ser dada à questão da biosegurança, ou seja, à segurança ligada à manipulação de materiais contendo fluidos orgânicos ou tecidos, seja com a finalidade de realizar exames laboratoriais, seja a manipulação de seringas e agulhas não-estéreis na operação de troca propriamente dita.

Os agentes de saúde estão constantemente sujeitos à pressão do contexto onde desenvolvem o eu trabalho e à sobrecarga emocional, por se depararem com questões complexas e desafiadoras de forma continua (por exemplo, ao lidar com pessoas recém diagnosticadas como infectadas por uma ou mais infecções de transmissão sexual e/ou sangüínea). Pó isso mesmo todos os esforços devem ser empreendidos, além de receberem apoio e supervisão permanente.

Medidas de biosegurança são procedimentos e condutas que se destinam a minimizar o risco de transmissão de doenças, como a AIDS e as Hepatites Virais, nos trabalhadores de saúde – principalmente os redutores de danos – e para quem recebe atendimento (UDs e suas redes de interação social)

A exposição ocupacional a material biológico durante a execução das atividades do PRD é freqüente. Considerando que um número expressivo de pessoas atendidas são portador do HIV, do HBV e do HCV, atividades como recolher e contar seringas e agulhas usadas, transportar este material e descartá-lo – ainda que contando com a utilização de pinças e caixas coletoras adequadas – expõe os trabalhadores de saúde que as realizam a risco de infecção por aqueles agentes.


A importância da biosegurança decorre do fato de que o trabalho é feito na maioria das vezes, em condições precárias, com pouca luminosidade e em locais sujos. Nos locais de uso (lixões, casa abandonadas e terrenos baldios), as agulhas e seringas usadas são com freqüência, abandonados no chão, e por isso, é essencial o cuidado com a segurança.

Por essa razão, não iniciamos o trabalho de campo sem o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e – também para que não haja estranhamento posterior, pois é importante os UDs se acostumarem com a presença do redutor assim paramentado para entenderem e aceitarem seu papel de agente de saúde, que zela não só pela sua saúde como pela dos UDs.

Tal ação torna-se mais difícil de ser realizada quando o redutor é morador da área onde atua, por que certamente causará estranheza o fato de uma pessoa - que sempre foi vista usando drogas sem precauções – de repente começar a usar luvas para manusear seringas usadas.

Para minimizar este problema, no treinamento dos redutores que são UDs ou Ex-UDs, essa situação deve ser dramatizada ou de alguma forma trazida a discussão, e esse argumento – que com toda certeza será apresentado pelo treinando para justificar o não-uso dos EPI – deve ser desconstruido.

O contra-argumento para justificar o uso de pinças e luvas na manipulação de seringas e agulhas é simples: “Quando vocês não acreditavam na AIDS não usavam camisinha, quando começaram a acreditar, passaram a se prevenir. Da mesma forma antes de chegarmos aqui, vocês não sabiam da existência das hepatites, agora já sabem. È por isso que se devem usar luvas na manipulação de seringas.”

Recomendações de acordo com as normas de precauções universais:

  • Não ir a local de uso de drogas usando chinelos e sandálias. É preferível calçar botas ou tênis com solado grosso, uma vez que se pode pisar em seringas e agulhas abandonadas ao chão.
  • A lanterna é fundamental para o trabalho de campo noturno, contudo, é preciso avisar aos UDs e à comunidade a sua utilização pelos redutores de danos, já que eles podem confundir a aproximação da equipe com uma batida policial.
  • Usar pinças para recolher seringas e agulhas usadas. Recomendam-se as pinças do tipo Pean ou Cheron (usadas em cirurgias), que são de fácil manipulação e limpeza. O uso de pinças não dispensa as luvas.
  • Não reencapar agulhas.
  • Utilizar luvas de procedimento. Luvas cirúrgicas são muito mais caras e desnecessárias nesse caso, uma vez que não há necessidade que sejam estéreis.
  • As caixas coletoras recomendadas – para o descarte em campo de seringas, agulhas, e outros materiais contaminados – são as de três litros, porquê têm capacidade adequada e cabem numa sacola de plástico, o que facilita o transporte. Em postos fixos de troca, as caixas coletoras podem variar de acordo com a quantidade de seringas circulantes na localidade. Não se deve encher a caixa coletora além de dois terços de sua capacidade. O descarte deverá ser feito em serviços de saúde.
  • Imunizar toda a equipe contra a hepatite B.

A utilização de caixas coletoras improvisadas para seringas e agulhas usadas é contra-indicada em razão do risco elevado de acidentes, em decorrência de agulhas perfurarem facilmente esses materiais. O uso de garrafas plásticas de refrigerante como caixa coletora, na ausência de caixas apropriadas, tem se tornado freqüente e com ele, o número de acidentes. Na falta de caixas apropriadas, especialmente produzidas para esta finalidade, devem ser utilizados recipientes com paredes de metal e com tampa, como por exemplo, latas de leite em pó.

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