19 de out de 2010

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3 - DST e as relações com as drogas

3 - DST E AS RELAÇÕES COM AS DROGAS

Abordar a problemática do uso de substâncias psicoativas, lícitas e ilícitas, e os riscos associados para a infecção de DST/HIV e hepatites entre usuários de drogas é um desafio, por causa de preconceitos e tabus implantados pela sociedade.

A experiência e as pesquisas realizadas sobre esse assunto comprovam que o uso de drogas, mesmo sem necessariamente caracterizar uma condição de dependência, contribui para o relaxamento de medidas de proteção, em especial o uso da camisinha nas relações sexuais, assim, um importante fator de aumento da vulnerabilidade e do risco de infecção entre todas o álcool tem sido apontado como a droga mais importante nesse sentido.

Quando o uso é injetável - e principalmente quando ocorre compartilhamento dos equipamentos de injeção - esses fatores são potencializados. O uso de drogas injetáveis tem, assim, um papel da maior importância para a manutenção e o perfil da epidemia pela sua eficácia como mecanismo de transmissão da infecção pelo HIV. O compartilhamento de seringas e agulhas não apenas põem em risco as pessoas envolvidas como seus parceiros sexuais e seus filhos.

Por fim, a violência associada ao cenário de uso de drogas é outro fator contribuinte por colocar em risco a integridade física e moral das pessoas, limitarem a adoção de medidas de proteção e dificultar ou mesmo impedir a execução de ações de prevenção. Pode-se perceber a importância de atuar nessa frente.
O uso de substâncias que alteram o humor e a percepção é comum a todas as culturas e sociedades, relacionado à razão de natureza cultural, religiosa e médica ou para ajudar no relaxamento, na busca de prazer e no enfrentamento de situações adversas do cotidiano da vida.

É fundamental, por isso, o cuidado de entender o uso prejudicial de drogas contextualizado nas especificidades de cada segmento populacional, buscando compreender a questão para além do campo universal/individual/ causa única e sempre considerar o campo cultural / coletivo/multifatorial, para que não se reforcem concepções parciais, equivocadas ou estigmatizantes.

O tipo de droga usada, o quanto e o como se usa variam segundo cada grupo populacional e contexto, da mesma forma que variam os comportamentos e riscos resultantes desse uso.

Do ponto de vista do risco de infecção pelo HIV e por outros agentes de DST para profissionais do sexo, seus clientes, seus companheiros e maridos, o efeito das drogas usadas pela mulher ou seus parceiros sexuais potencializa seu grau de vulnerabilidade pelo relaxamento de controles e por dificultar a negociação do uso do preservativo.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, as pessoas mais propensas ao uso de drogas são aquelas:
• Sem informações adequadas sobre drogas e seus efeitos;
• Com saúde deficiente;
• Insatisfeitas com sua qualidade de vida;
• Com personalidade vulnerável e
• Com fácil acesso às drogas.

O perfil dos profissionais do sexo no Brasil (homens, mulheres e travestis) agrega várias destas características: baixa renda, instrução primária, dificuldades de acesso à informação e aos serviços de saúde, historicamente depreciada socialmente, vivenciando estigmatização constante, tendo freqüentemente seu status de cidadão negado. Podemos considerar, portanto, um aumento da vulnerabilidade para o uso de drogas e para as infecções.

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