18 de out de 2010

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Febre maculosa brasileira

Descrição - A febre maculosa brasileira (FMB) é uma doença infecciosa febril aguda, de gravidade variável, podendo cursar desde formas leves até formas graves, com elevada taxa de letalidade. É causada por uma bactéria do gênero Rickettsia (R. rickettsii) e transmitida por carrapatos.

Agente etiológico - Rickettsia rickettsii, bactéria gram-negativa, parasita intracelular obrigatória.

Reservatório - No Brasil, o principal reservatório da Rickettsia rickettsii são os carrapatos do gênero Amblyomma (A. cajennense, A. cooperi ou dubitatum e A. aureolatum. A participação dos eqüídeos no ciclo de transmissão é discutível, havendo evidências de que além de transportadores de carrapatos potencialmente infectados podem atuar como sentinelas, semelhantemente ao cão. Acreditase que a capivara (Hydrochaeris hydrochaeris) também pode estar envolvida neste ciclo, mas não existem estudos que comprovem ser este roedor um reservatório silvestre de Rickettsias.

Modo de transmissão - A febre maculosa brasileira é geralmente adquirida pela picada de carrapato infectado e a transmissão ocorre se o artrópode permanecer aderido ao hospedeiro por no mínimo 4-6 horas.
A doença não se transmite de pessoa a pessoa.

Período de incubação - Dois a catorze dias (em média, 7 dias).

Período de transmissibilidade - Os carrapatos permanecem infectados durante toda a vida, em geral de 18 meses. A partir de um carrapato infectado, outros podem tornar-se infectados, através de transmissão vertical (transovariana), transmissão estádio-estádio (transestadial) ou transmissão através da cópula.

Quadro clínico - A doença pode ser de difícil diagnóstico, sobretudo em sua fase inicial, mesmo entre profissionais bastante experientes. A febre maculosa pode apresentar um curso clínico variável, desde quadros clássicos a formas atípicas sem exantema. O início geralmente é abrupto e os sintomas são inicialmente inespecíficos, incluindo: febre, cefaléia, mialgia intensa, mal-estar generalizado, náuseas e vômitos. Em geral, entre o segundo e o sexto dia da doença surge o exantema maculopapular, um importante e fundamental achado clínico, porém sua presença não deve ser considerada a única condição para fortalecer a suspeita diagnóstica, pois pode estar ausente, o que dificulta e retarda o diagnóstico e tratamento, determinando maior número de óbitos.

Nos casos graves, é comum a presença de edema de membros inferiores, hepatoesplenomegalia, manifestações gastrintestinais como náuseas, vômitos, dor abdominal e diarréia, manifestações renais com oligúria e insuficiência renal aguda, manifestações pulmonares com tosse, edema pulmonar, pneumonia intersticial e derrame pleural, manifestações neurológicas e hemorrágicas como petéquias, sangramento muco-cutâneo, digestivo e pulmonar.

Pacientes não tratados precocemente podem evoluir para formas graves.
Destes, cerca de 80% evoluem para óbito.

Diagnóstico - Dados clínicos e epidemiológicos associados a achados laboratoriais reforçam o diagnóstico da doença. A cultura com isolamento da Rickettsia é o método diagnóstico ideal. A reação sorológica de imunofluorescência indireta (RIFI), utilizando antígenos específicos para R. rickettsii, é o mais utilizado e deve ser considerado como confirmatório um aumento de 4 vezes no título em uma segunda amostra colhida pelo menos duas semanas após a primeira. Outros métodos utilizados são a reação em cadeia da polimerase (PCR) e a imunohistoquímica.

Diagnóstico diferencial - O diagnóstico precoce é muito difícil, principalmente durante os primeiros dias da doença, quando as manifestações clínicas também podem sugerir leptospirose, sarampo, febre tifóide, dengue, febre amarela, meningococcemia, febre púrpurica brasileira, doença de Lyme e sepses.

Tratamento – Procure seu médico ou posto de saúde.

Características epidemiológicas - A doença se apresenta sob a forma de casos esporádicos em áreas rurais e urbanas, relacionados com contato com carrapatos, quer em atividades de trabalho ou lazer. No Brasil, são notificados casos nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
Objetivo - A vigilância da FMB compreende a vigilância epidemiológica e ambiental dos vetores, reservatórios e hospedeiros e tem como objetivos detectar e tratar precocemente os casos suspeitos, visando a redução da letalidade; investigar e controlar surtos, mediante a adoção de medidas de controle; conhecer a distribuição da doença segundo lugar, tempo e pessoa; identificar e investigar os locais prováveis de infecção (LPI) e recomendar e adotar medidas de controle e prevenção.

Definição de caso

Suspeito - indivíduo que apresente febre de moderada a alta, cefaléia, mialgia, história de picada de carrapatos e/ou contato com animais domésticos e/ou silvestres e/ou tenha freqüentado área sabidamente de transmissão da febre maculosa nos últimos 15 dias; ou ainda, indivíduo que apresente febre de início súbito, mialgia, cefaléia, seguida por aparecimento de exantema maculopapular entre 2 a 5 dias dos sintomas e/ou manifestações hemorrágicas, excluídas outras patologias;

Confirmado - por critério laboratorial, quando o agente etiológico for isolado em cultura ou pesquisa imunohistoquímica positiva para antígenos de Rickettsia sp. ou quando a sorologia de duas amostras, colhidas com intervalo médio de 10 a 14 dias, mostrar soroconversão de 4 vezes o título; por critério clínico-epidemiológico, quando o paciente for a óbito com quadro compatível de FMB e tenha antecedentes epidemiológicos;

Compatível - indivíduo com clínica sugestiva de FMB que apresente reação sorológica positiva, RIFI com título > = 1/64 em amostra única.

MEDIDAS DE CONTROLE

Alertar os profissionais da rede de serviços de saúde, das áreas de ocorrência da FMB, sobre os sinais e sintomas da doença e as orientações diagnósticas e terapêuticas. Em caso de suspeita de febre maculosa, colher uma amostra de sangue para exame laboratorial e iniciar o tratamento imediatamente, antes mesmo do resultado laboratorial.

Havendo carrapatos na pele do doente, coletá-los com luvas e pinças, acondicioná-los e encaminhá-los para o laboratório de referência.

Iniciar imediatamente a investigação epidemiológica com busca ativa de casos suspeitos. Orientar a comunidade sob vigilância para procurar os serviços de saúde aos primeiros sinais da doença (febre, cefaléia e mialgias). Verificar a extensão da presença de carrapatos na área e instruir a população sobre a necessidade da retirada dos mesmos nos indivíduos infestados (com luvas), já que a doença parece ocorrer com maior freqüência em indivíduos que permanecem com o vetor no corpo por mais de 6 horas. A ficha de investigação deverá ser preenchida e, além dos dados de identificação dos pacientes, deverão ser realizadas perguntas objetivas sobre a clínica, a existência dos transmissores e a ocorrência de casos semelhantes anteriormente.

Entrevistas devem ser feitas anotando-se o modo de vida dos habitantes, principalmente invasão de matas, transformações sociais e econômicas mais recentes na área, buscando relacionar essas informações com a ocorrência da febre maculosa. O rodízio de pastos e capina da vegetação pode trazer alguns resultados no controle, da população de carrapatos, enquanto o uso de carrapaticidas deve fazer parte de um programa contínuo de controle, principalmente quando houver participação de eqüinos como hospedeiros primários para o carrapato. A população deve evitar as áreas infestadas por carrapatos e, se possível, usar calças e camisas de mangas compridas, roupas claras para facilitar a visualização e sempre inspecionar o corpo para verificar a presença de carrapatos.
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Amebíase Doenças Diarréicas Agudas
Ancilostomíase Enterobíase
Ascaridíase Escabiose
Botulismo Esquistossomose
Brucelose Estrongiloidíase
Coccidioidomicose Febre amarela
Cólera Febre maculosa brasileira
Coqueluche Febre purpúrica brasileira
Criptococose Febre Tifóide
Criptosporidíase Filaríase por Wuchereria Bancrofti
Dengue Giardíase
Doença de Chagas Hanseníase
Doença de Lyme Hantaviroses
Doença Meningocócica


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