18 de out de 2010

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Hanseníase

Descrição - Doença infectocontagiosa, crônica, curável, causada pelo bacilo de Hansen. Esse bacilo é capaz de infectar grande número de pessoas (alta infectividade), mas poucos adoecem (baixa patogenicidade).

Seu poder imunogênico é responsável pelo alto potencial incapacitante da hanseníase.

Definição de caso - Conforme define a Organização Mundial da Saúde, pessoa que apresenta um ou mais dos critérios listados a seguir, com ou sem história epidemiológica e que requer tratamento quimioterápico específico: lesões de pele com alteração de sensibilidade; espessamento de nervo(s) periférico(s), acompanhado de alteração de sensibilidade; e baciloscopia positiva para bacilo de Hansen.

Observação - A baciloscopia negativa não afasta o diagnóstico de hanseníase.
Os aspectos morfológicos das lesões cutâneas e classificação clínica nas quatro formas abaixo devem ser utilizados por profissionais especializados e em investigação científica. Operacionalmente, a OMS recomenda, para fins terapêuticos, a classificação operacional baseada no número de lesões cutâneas. O quadro final sintetiza as formas clínicas de hanseníase, com suas principais características.

Sinonímia - Mal de Hansen; antes a doença era conhecida como lepra.

Agente etiológico - Bacilo álcool-ácido resistente, intracelular obrigatório, denominado bacilo de Hansen ou Mycobacterium leprae.

Reservatório - O homem, reconhecido como única fonte de infecção, embora tenham sido identificados animais naturalmente infectados.

Modo de transmissão

Contato prolongado de indivíduos suscetíveis com pacientes bacilíferos não tratados, especialmente no ambiente intradomiciliar.

Período de incubação - Em média 5 anos, podendo variar de meses a mais de 10 anos.

Período de transmissibilidade - Os pacientes multibacilares podem transmitir a hanseníase antes mesmo de iniciar o tratamento específico.


Complicações - Quando o diagnóstico é precoce e o tratamento quimioterápico do paciente é adequadamente seguido, com orientações de autocuidado para prevenir incapacidades, geralmente a hanseníase não deixa seqüelas e ou complicações.

Um grupo de pacientes pode desenvolver episódios reacionais, que são fenômenos agudos que ocorrem na evolução da doença crônica (hanseníase), cuja manifestação clínica decorre da interação entre o bacilo ou restos bacilares e o sistema imunológico
do hospedeiro. Podem surgir como primeira manifestação da hanseníase, durante o tratamento específico, ou após a alta do paciente. Nesse último caso, não requer a reintrodução da poliquimioterapia. As reações (ou episódios reacionais) são agrupadas em dois tipos:

Tipo 1 - Também chamado reação reversa. Ocorre mais freqüentemente em pacientes com hanseníase tuberculóide e dimorfa. Caracterizase por eritema e edema das lesões e/ou espessamento de nervos com dor à palpação dos mesmos (neurite). A neurite pode evoluir sem dor (neurite silenciosa). É tratado com Prednisona, VO, 1-2mg/kg/dia, com redução em intervalos fixos, conforme avaliação clínica. São também indicação de uso de corticosteróides a irite/iridociclite e a orquite (consultar o Guia para o Controle da Hanseníase.

Tipo 2 - A manifestação clínica mais freqüente é o eritema nodoso hansênico.

Os pacientes com hanseníase virchowiana são os mais acometidos.

Caracteriza-se por nódulos eritematosos, dolorosos, em qualquer parte do corpo. Pode evoluir com neurite. Trata-se com talidomida, VO, na dose de 100 a 400mg/dia (seu uso em mulheres em idade fértil é restrito e regulamentado pela Lei nº 10.651, de 17 de abril de 2003, devido à possibilidade de ocorrência de teratogenicidade; ou Prednisona, VO, 1-2mg/kg/dia. A
redução também é feita em intervalos fixos, após avaliação clínica.

Diagnóstico - Eventualmente, caso haja dificuldades para o diagnóstico clínico, pode ser necessário o apoio de centros de referência para procedimentos de média complexidade, como exames laboratoriais (ex.: bacilospia, histopatológico). É também importante a avaliação da
história epidemiológica do paciente.

Diagnóstico diferencial - Eczemátide, nevo acrômico, pitiríase versicolor, vitiligo, pitiríase rósea de Gilbert, eritema polimorfo, eritema nodoso por outras causas, granuloma anular, eritema anular, lúpus, farmacodermias, pelagra, sífilis, alopécia areata, sarcoidose, xantomas, esclerodermias.

Tratamento – Procure seu médico ou posto de saúde.


Características epidemiológicas - A hanseníase é mais comum em países em desenvolvimento. Tem baixa letalidade e baixa mortalidade, podendo ocorrer em qualquer idade, raça ou gênero.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Objetivo - Reduzir os coeficientes de detecção e prevalência da doença, através do diagnóstico e tratamento precoces dos casos, buscando interromper a cadeia de transmissão.

MEDIDAS DE CONTROLE

Diagnóstico precoce dos casos, através do atendimento de demanda espontânea, de busca ativa e de exame dos contatos para tratamento específico, que deve ser feito em regime eminentemente ambulatorial.

Prevenção de incapacidades - Todo paciente de hanseníase deve ser examinado minuciosamente e orientado quanto aos autocuidados para evitar ferimentos, calos e queimaduras (que podem ocorrer devido à hipoestesia e/ou anestesia), que, uma vez instalados podem, potencialmente, levar a incapacidades. Ressalte-se que a melhor forma de prevenir incapacidades é fazer o tratamento poliquimioterápico de modo regular e completo. Ratifica-se, ainda que, o diagnóstico precoce do acometimento neural, com ou sem reação hansênica, e seu tratamento adequado é medida essencial na prevenção de incapacidades.

Vigilância de contatos - Contato intradomiciliar é toda pessoa que resida ou tenha residido com o paciente nos últimos 5 anos. Examinar todos os contatos de casos novos. Os contatos sãos devem receber duas doses da vacina BCG-ID. Quando houver a cicatriz por BCG-ID, considerar como 1ª dose e aplicar a 2ª dose. Quando não houver a cicatriz, aplicar a 1ª dose e a 2ª após 6 meses. Paralelamente, os contatos sãos devem ser orientados quanto aos sinais e sintomas da hanseníase.

Recidiva - Deve-se suspeitar de recidiva com base nos seguintes parâmetros:

Paucibacilares - Paciente que, após alta por cura, apresentar: dor em nervo não afetado anteriormente, novas lesões e/ou exacerbações de lesões anteriores que não respondam à corticoterapia recomendada para tratar episódios reacionais do tipo 1, nas doses indicadas;

Multibacilares - Paciente que, após 5 anos de alta por cura, continuar apresentando episódios reacionais que não cedem à terapêutica com corticosteróide e/ou talidomida, nas doses recomendadas para tratar episódios do tipo 2. Considerar, na recidiva, a confirmação baciloscópica, ou seja, a presença de bacilos íntegros e globias.

Observação - A ocorrência de episódio reacional após a alta do paciente não significa recidiva da doença. A conduta correta é instituir apenas terapêutica anti-reacional (Prednisona e/ou talidomida). Todo caso de recidiva deve, após confirmação, ser notificado como recidiva e reintroduzido novo esquema terapêutico.
A hanseníase não confere imunidade. Os parâmetros paradiferenciar recidiva e reinfecção não estão claros na literatura.


Notas:
1) Na hanseníase virchowiana, além das lesões dermatológicas e das mucosas podem ocorrer lesões viscerais.
2) As manifestações neurológicas são comuns a todas as formas clínicas. Na hanseníase
indeterminada, não há comprometimento de troncos nervosos, expressos clinicamente.
Na hanseníase tuberculóide, o comprometimento dos nervos é mais precoce e intenso.
3) Os casos não classificados quanto à forma clínica serão considerados, para fins de tratamento,
como multibacilares.
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